TRE-RJ volta a adiar decisão sobre candidatura de Ricardo Abrão

Novo pedido de vista mantém julgamento em aberto. Decisão pode alterar a composição da bancada do Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) voltou a adiar a decisão sobre o registro da candidatura à reeleição do deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ). O julgamento foi retomado nesta quarta-feira (7), mas acabou novamente sem uma decisão definitiva após o desembargador Paulo Cesar Salomão pedir vista para analisar novos documentos incluídos no processo.

Apesar do pedido de vista, o placar está desfavorável ao deputado. Na retomada do julgamento, o relator, desembargador Guilherme Calmon, votou pela rejeição do recurso apresentado pela defesa de Ricardo Abrão contra a decisão que havia indeferido o registro de sua candidatura. E os desembargadores Bruno Bodart, Fábio Porto, Fernando Cerqueira e o presidente do TRE-RJ, Claudio de Mello Tavares, declararam voto acompanhando o entendimento pelo indeferimento da candidatura.

O caso pode ter impacto direto na composição da bancada do Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados. Ricardo Abrão recebeu 63.730 votos, número superior aos 46.780 votos de Talita Galhardo (PSDB), que aparece entre os quatro deputados federais eleitos pela Federação PSDB/Cidadania na votação de domingo (4). Se o TRE-RJ aprovar a candidatura de Abrão, Talita deve perder a vaga e ficar como suplente.

O julgamento do processo havia sido suspenso anteriormente, na sessão de 22 de setembro, depois que os desembargadores decidiram, por unanimidade, solicitar novos documentos e informações relacionados às acusações envolvendo o deputado.

A medida foi proposta pelo desembargador Bruno Bodart, que havia pedido vista do processo na sessão de 17 de setembro.

Naquela etapa do julgamento, o relator Guilherme Calmon havia votado pelo deferimento do registro da candidatura. Com a apresentação de novas informações, porém, o processo foi convertido em diligência para que o tribunal pudesse analisar os documentos antes de concluir o julgamento.Nesta quarta-feira Calmon mudou de posição e votou pela rejeição do recurso de Abrão.

O desembargador Fábio Ribeiro Porto, que também havia votado pelo deferimento da candidatura, acompanhou a proposta de realização das diligências.

Investigação da Polícia Federal

O julgamento eleitoral ocorre em meio a uma investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Nilópolis, na Baixada Fluminense.

A investigação tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF) e resultou em uma operação da Polícia Federal realizada no início de setembro. Um dos mandados de busca e apreensão foi cumprido na residência de Ricardo Abrão, em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino.

Após a ação policial, Ricardo Abrão afirmou, em nota, ter recebido a operação “com estranheza” e negou ter participado como candidato nas eleições municipais de 2024.

“Esclareço que não participei como candidato nas eleições de 2024. Estou tranquilo e à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos necessários”, afirmou o deputado.

Quem é Ricardo Abrão

Ricardo Martins David, conhecido como Ricardo Abrão, tem 53 anos, é advogado e empresário e já presidiu a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis. Atualmente, exerce mandato de deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Ele é sobrinho de Anísio Abraão David e primo do prefeito de Nilópolis, Abraãozinho (PL).

Decisão pode afetar composição da bancada do Rio

A definição do TRE-RJ sobre o registro de Ricardo Abrão poderá ter reflexos na composição da bancada fluminense na Câmara dos Deputados, já que a votação obtida pelo deputado supera a de outros candidatos da mesma federação.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo