Barrada pelo PSD na disputa eleitoral deste ano, a deputada estadual Lucinha usou o expediente inicial da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para fazer uma espécie de despedida do plenário. Depois de quatro mandatos como vereadora e quatro como deputada estadual, ela relembrou sua trajetória, comentou a derrota do filho nas urnas e afirmou que continuará acompanhando as discussões da Casa mesmo depois de deixar o mandato.
Sem citar diretamente os responsáveis pela decisão, Lucinha afirmou que pretendia concorrer a deputada federal, mas foi impedida na reta final da definição das candidaturas. “Eu não pude ser candidata, me puxaram o tapete aos 45 segundos do tempo. Então eu não pude ser candidata a deputada federal”, declarou.
Decisão passou por Paes
A movimentação para impedir a candidatura de Lucinha teria partido do próprio Eduardo Paes, principal liderança do PSD no Rio e candidato do partido ao governo do estado. Lucinha chegou a deixar a legenda durante o período da janela partidária em março, mas acabou retornando. A decisão de barrar sua candidatura ocorreu em julho
Segundo interlocutores da campanha ouvidos à época, pesaram na decisão tanto o risco de uma eventual contestação judicial quanto o desgaste político provocado pelas investigações envolvendo a deputada.
A preocupação estava diretamente relacionada às suspeitas de ligação de Lucinha com a milícia da Zona Oeste. A avaliação no entorno de Paes era de que a permanência da deputada na chapa poderia criar um foco de desgaste justamente em uma campanha na qual a segurança pública ocuparia posição central.
Lucinha é investigada por suposta ligação com a organização criminosa comandada por Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho. A parlamentar foi denunciada pelo Ministério Público do Rio sob acusação de atuar em favor do grupo.
Eduardo Paes chegou a ser indicado pelo próprio Ministério Público como testemunha de acusação no processo, o que não significa que ele seja investigado no caso. Durante o discurso desta quarta-feira, Lucinha não relacionou nominalmente Paes à decisão que a deixou fora das urnas. A deputada limitou-se a dizer que teve o “tapete” puxado.
Ela também mencionou seu posicionamento na eleição presidencial e afirmou ter feito campanha por Flávio Bolsonaro. “Todos sabem que eu fiz campanha do Bolsonaro desde o início por entender que era o melhor candidato que nós tínhamos”, disse.
Filho ficou fora da Alerj
Sem Lucinha na disputa, o filho da parlamentar, o vereador Júnior da Lucinha (PSD), tentou uma vaga de deputado estadual, mas não conseguiu se eleger. Segundo a deputada, ele recebeu cerca de 26 mil votos e já retornou à Câmara Municipal do Rio para cumprir os dois anos restantes do atual mandato.
A candidatura de Júnior chegou a ser alvo de uma ação de impugnação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral. Em setembro, porém, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) rejeitou por unanimidade o pedido e liberou o registro.
O MPE sustentava que a candidatura representaria uma tentativa de continuidade da influência política de Lucinha. A Justiça Eleitoral, no entanto, julgou improcedente a impugnação e autorizou Júnior a disputar normalmente a eleição. Ao comentar o resultado, Lucinha disse que o filho enfrentou uma eleição “meio turbulenta” na Zona Oeste.
Despedida, mas sem afastamento
Apesar do tom de despedida, Lucinha afirmou que o encerramento do mandato não significará seu afastamento das discussões da Assembleia. Ela pretende acompanhar projetos de sua autoria ainda em tramitação e buscar o apoio de deputados que permanecerão na Casa. “Eu estarei aqui de forma indireta, através dos meus amigos, lutando por aquelas pautas importantes”, afirmou.
Entre os assuntos mencionados estão transporte, saúde, saneamento ambiental e educação. Lucinha também citou a situação dos trens e questões relacionadas à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) na Zona Oeste. “Não significa que eu não estarei aqui, que eu não participarei das pautas importantes”, declarou.
Lucinha também saudou Índia Armelau (PL), a deputada estadual mais votada na eleição, e destacou a reeleição de Luiz Paulo (PSD), a quem classificou como “essencial” e “fundamental para o Parlamento”. Ao encerrar o pronunciamento, a deputada afirmou que continuará participando das atividades da Alerj até o fim do mandato, inclusive da discussão do orçamento estadual.
“A vida continua. Para quem, como eu, comecei lá atrás em 96, quatro mandatos de vereador e quatro mandatos de deputado, a vida continua”, afirmou.







Deixe um comentário