Aos 80 anos, Lula admite resistência às redes, mas adere a ofensiva digital no 2º turno

Presidente diz preferir falar somente o essencial, mas campanha monta força-tarefa com parlamentares eleitos e influenciadores para ampliar presença nas mídias sociais; presidente quer respostas mais rápidas para informações falsas

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Aos 80 anos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu nesta quarta-feira (7) que ainda resiste à rotina das redes sociais e à pressão para permanecer com o celular nas mãos produzindo conteúdo. A confissão ocorre justamente quando sua campanha decidiu reforçar a presença digital do presidente no segundo turno e mobilizar parlamentares eleitos, jovens políticos e influenciadores de esquerda numa força-tarefa voltada às mídias sociais.

Apesar da resistência pessoal, Lula aderiu à estratégia. Nesta quarta, o candidato à reeleição gravou vídeos em primeira pessoa, convocou apoiadores a conversar com eleitores e levou para as redes uma das bandeiras escolhidas para esta etapa da campanha: o fim da escala de trabalho 6×1.

A mudança de postura ocorre depois de integrantes da campanha defenderem maior exposição do presidente nas plataformas digitais. A avaliação interna levou à articulação de uma rede de apoiadores para aumentar a circulação de conteúdos e acelerar as respostas a temas levantados pelos adversários.

Lula reconhece dificuldade com a rotina digital

Durante conversa com correligionários do PT, em Brasília, Lula falou abertamente sobre a insistência da primeira-dama Janja e do marqueteiro Sidônio Palmeira para que participe mais diretamente da comunicação digital.

“Quero pedir desculpa para a Janja, para o Sidônio, que enchem o saco, que eu tenho que falar na rede, ficar com o celular na mão. Mas eu tenho a mão para fazer outra coisa, não para ficar no celular”, afirmou.

Lula disse que prefere manifestações pontuais e não tem o hábito de acompanhar permanentemente as notícias pelo telefone.

“Eu gosto de falar somente o essencial. Eu não gosto de ficar vendo notícia. Eu não gosto”, afirmou. Ao comentar a pressão para produzir mais vídeos, acrescentou: “Faz um, faz um […] Eu não gosto. Hoje eu resolvi fazer”.

E fez. Pela manhã, Lula publicou um vídeo em formato de selfie convocando apoiadores a intensificar o contato com os eleitores. Depois, apareceu novamente nas redes para defender o fim da escala 6×1.

Força-tarefa mobiliza parlamentares e influenciadores

A maior participação do próprio presidente é apenas uma frente da estratégia digital planejada para o segundo turno. A campanha também articula a atuação de jovens políticos eleitos, parlamentares da esquerda e influenciadores para ampliar o alcance das mensagens e responder com maior velocidade aos conteúdos dos adversários.

No encontro desta quarta, Lula pediu diretamente aos parlamentares que utilizem suas próprias redes e bases eleitorais para divulgar as propostas da campanha.

“É muito importante que vocês, que são parlamentares, divulguem onde vocês moram, divulguem para os povos que vocês conhecem, para os eleitores de vocês, para o pessoal da comunidade de vocês, o significado do fim da escala seis por um”, disse.

Lula defendeu uma jornada de cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial, e voltou a desafiar seu adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), a apoiar a proposta.

“Eu quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu desafio ele a votar favorável”, afirmou.

Campanha quer respostas mais rápidas

Além de aumentar sua própria exposição, Lula defendeu que a campanha responda rapidamente ao que considera informações falsas ou negativas disseminadas pelos adversários.

“O que está em jogo neste momento é dizer para que veio, detonar a notícia ruim. A facilidade que eles têm de contar mentira é muito grande”, declarou.

O presidente também reconheceu o desafio de recuperar eleitores desanimados e comparou o atual mandato com seu segundo governo, entre 2007 e 2010. “Uma das expectativas era que o Lula 3 repetisse o Lula 2”, afirmou.

A conversa com os correligionários chegou a ser transmitida ao vivo, mas a transmissão foi interrompida por volta das 13h35.

Assim, mesmo reconhecendo sua pouca afinidade com a rotina digital, Lula entra no segundo turno pressionado a fazer do celular uma ferramenta mais frequente de campanha, enquanto aliados, parlamentares e influenciadores são mobilizados para ampliar essa presença.

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