A candidatura de Ricardo Abrão (PSDB) à reeleição sofreu uma reviravolta no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). A Corte decidiu por unanimidade, nesta terça-feira (29), indeferir o registro do deputado federal. O julgamento havia sido suspenso na semana passada e foi retomado nesta terça.
Com a decisão, o TRE-RJ também determinou o envio do caso ao Ministério Público Eleitoral (MPE), para que sejam apuradas eventuais responsabilidades relacionadas à aceitação da candidatura pelo partido.
O julgamento ganhou novos contornos após o relator, desembargador Guilherme Calmon, mudar o voto que havia apresentado anteriormente e passar a acompanhar o entendimento pelo indeferimento do registro.
Julgamento havia sido suspenso
Na sessão de 17 de setembro, o desembargador Bruno Bodart havia pedido vista do processo. Na ocasião, Calmon tinha votado pelo deferimento da candidatura de Ricardo Abrão.
Ao apresentar seu voto nesta terça-feira, Bodart sustentou que os documentos disponíveis no processo ainda não eram suficientes para uma análise completa dos fatos investigados na Operação Astrea e da possível relação do candidato com as acusações apresentadas pela Procuradoria Regional Eleitoral.
A partir da análise do processo e das informações reunidas na investigação, o julgamento foi retomado e terminou com a decisão unânime pelo indeferimento do registro.
Investigação da Polícia Federal
Ricardo Abrão é investigado pela Polícia Federal por suspeitas relacionadas a um suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024, em Nilópolis, na Baixada Fluminense.
Durante o julgamento, o relator fez referência às acusações apresentadas pela Polícia Federal. Entre elas está a suspeita de que o deputado teria organizado um ponto utilizado para a distribuição de dinheiro durante a campanha de seu primo, o atual prefeito de Nilópolis, Abrãozinho, eleito em 2024.
Segundo a investigação policial mencionada no processo, o local seria conhecido como um “QG” ou “comitê clandestino” de campanha. A suspeita é de que Ricardo Abrão teria participado pessoalmente da entrega de valores e também do abastecimento de recursos destinados a cabos eleitorais e eleitores.
Para a Polícia Federal, o deputado seria responsável por fornecer os recursos utilizados no suposto esquema.
As acusações, no entanto, fazem parte de uma investigação e foram apresentadas no processo como elementos para análise da Justiça Eleitoral.
Quem é Ricardo Abrão
Ex-presidente da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, Ricardo Abrão é deputado federal pelo PSDB e disputa a reeleição.
Ele também é sobrinho de Anísio Abraão David, citado nas informações do processo em razão de sua ligação histórica com a Beija-Flor e com Nilópolis.
A decisão desta terça-feira não se limitou à análise formal do pedido de registro. O julgamento levou em consideração também os elementos relacionados às investigações sobre a atuação de Ricardo Abrão nas eleições municipais de 2024.







Deixe um comentário