A reta final da disputa pelo Governo do Rio abriu mais uma frente de confronto entre Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL). Depois do debate da TV Globo, Paes voltou a levantar suspeitas sobre a evolução patrimonial do adversário e negócios ligados a obras em São Gonçalo. Ruas reagiu por meio de sua campanha, classificando as declarações como “mentiras e ataques sem provas” e contestando a afirmação de que não teria recorrido à Justiça Eleitoral.
As acusações ocorrem depois de uma campanha marcada pela judicialização e por ataques entre os dois candidatos. Ruas é alvo de investigações relacionadas a contratos com o poder público e suspeitas de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito, segundo checagem da Agência Lupa publicada neste mês.
Paes questiona patrimônio e cobra reação de Ruas
Ao comentar a disputa nesta quarta-feira (30), Paes afirmou que sua campanha vem levantando o tema ao longo da eleição e disse que Ruas não teria buscado direito de resposta especificamente contra as acusações relacionadas ao seu patrimônio.
“Ele não pede direito de resposta. Eu acuso ele, nós usamos na campanha inteira, comerciais, na TV, acusando ele de desvio de recursos através da empreiteira dele nas obras de São Gonçalo”, afirmou Paes.
O candidato do PSD também associou o caso às recentes crises políticas enfrentadas pelo estado e voltou a questionar o crescimento patrimonial do adversário.
“O Douglas Ruas enriqueceu, ele é milionário. E ele não pede direito de resposta. Eu esperava ontem, né? Cadê o direito de resposta?”, disse.
Paes sustentou ainda que as suspeitas estão sendo investigadas pelo Ministério Público. As declarações representam acusações do candidato do PSD e não devem ser tratadas como fatos comprovados enquanto não houver conclusão dos procedimentos e eventual decisão judicial.
Campanha de Ruas cita decisões da Justiça
A campanha de Douglas Ruas reagiu afirmando que Paes estaria repetindo acusações já questionadas judicialmente. “Eduardo Paes está terminando a campanha como começou: na lama. São mentiras e ataques sem provas que já foram punidos pela Justiça”, afirmou em nota.
A resposta contesta diretamente a alegação de Paes de que Ruas não teria procurado a Justiça Eleitoral. A campanha do candidato do PL afirma ter recorrido contra inserções no rádio, na televisão e publicações nas redes sociais e diz ter obtido inclusive direito de resposta no horário eleitoral do adversário.
Em setembro, o TRE-RJ determinou a retirada de propaganda de Paes e concedeu direito de resposta a Ruas ao considerar que determinadas peças ultrapassaram os limites da crítica eleitoral ao atribuir diretamente ao candidato do PL a continuidade de esquemas de corrupção e uma suposta relação com o Comando Vermelho sem comprovação apresentada no processo.
Batalha judicial vira parte da disputa
Segundo a campanha de Ruas, foram ajuizados 123 processos contra Paes e sua coligação durante a eleição de 2026. A equipe do candidato afirma que, em 11 deles, houve algum tipo de decisão favorável, incluindo liminares, medidas cautelares e julgamentos de mérito, enquanto os demais ainda aguardam análise.
As decisões conhecidas mostram resultados distintos. Além do caso em que Ruas conseguiu direito de resposta, o TRE-RJ também rejeitou uma representação do candidato contra outra propaganda de Paes, entendendo naquele processo que o conteúdo estava dentro dos limites do debate eleitoral.







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