Justiça proíbe Knoploch de portar arma e usar spray de pimenta em atos de campanha

TRE-RJ determina multa de R$ 20 mil por ocorrência se deputado descumprir a ordem; decisão também rejeitou, por enquanto, pedido para afastá-lo do comitê de Flávio Serafini

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

A Justiça Eleitoral proibiu o deputado estadual e candidato à reeleição Alexandre Knoploch (PL) de portar, exibir ou usar armas de fogo, munições, spray de pimenta ou produtos semelhantes durante atos presenciais de campanha. A decisão foi tomada pelo desembargador eleitoral Fábio Ribeiro Porto, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), após a confusão ocorrida na Tijuca envolvendo Knoploch e integrantes da campanha do também deputado estadual Flávio Serafini (Psol) candidato à reeleição.

A determinação vale até 5 de outubro e inclui caminhadas, comícios, carreatas, panfletagens, reuniões e outros eventos presenciais de campanha. Se Knoploch descumprir a ordem, poderá ser multado em R$ 20 mil por ocorrência.

A decisão é uma liminar e ainda será analisada pelo Plenário do TRE-RJ. A sessão está prevista para esta quinta-feira (1º).

Confusão na Tijuca motivou ação

O episódio que levou à Justiça ocorreu na segunda-feira (28), na esquina da Rua Conde de Bonfim com a Rua General Roca, na Tijuca, em frente ao comitê de campanha de Flávio Serafini.

Knoploch fazia campanha na região quando se dirigiu ao comitê adversário e acabou envolvido em uma discussão com integrantes da campanha de Serafini.

Durante a confusão, o deputado utilizou spray de pimenta contra pessoas que estavam na calçada. Imagens do episódio também registraram Knoploch com uma arma de fogo na cintura.

Entre as pessoas apontadas como atingidas pelo spray está Maria de Lourdes do Carmo, conhecida como Maria dos Camelôs, candidata a suplente ao Senado e uma das autoras da ação apresentada ao TRE-RJ junto com Serafini.

O episódio também foi levado à Polícia Civil, com relatos envolvendo ameaça, lesão corporal e desobediência.

Justiça considerou risco de repetição

Na ação eleitoral, Serafini e Maria de Lourdes pediram uma série de restrições contra Knoploch. Entre elas estavam a proibição de aproximação do comitê adversário, restrições de contato, retirada de vídeos das redes sociais e impedimento do uso ou porte de armas e spray de pimenta durante a campanha.

Ao analisar o pedido, Fábio Ribeiro Porto entendeu que havia elementos suficientes para impor imediatamente a restrição relacionada às armas e ao spray.

Um dos pontos considerados pelo relator foi que o próprio Knoploch publicou vídeos nas redes sociais comentando o episódio e falando sobre o uso do spray de pimenta.

Antes da confusão, em 18 de setembro, o candidato também havia divulgado material de campanha com a frase: “A PACIÊNCIA ACABOU! SE NÃO RESPEITAR VOU RESPONDER COM SPRAY DE PIMENTA”.

Para o relator, o conjunto formado pelo episódio, pelas imagens apresentadas e pelas manifestações públicas do candidato indicou risco de repetição da conduta durante a reta final da eleição.

A restrição determinada pelo TRE-RJ é específica: durante esses eventos, ele não poderá portar, exibir ou utilizar armas de fogo, munições, spray de pimenta ou instrumentos semelhantes.

O relator não aceitou todos os pedidos feitos por Serafini e Maria de Lourdes, como a retirada dos vídeos publicados nas redes sociais por Knoploch.

O relator entendeu que o conteúdo das publicações precisa ser analisado de forma mais completa e que a defesa de Knoploch deve ser ouvida antes de uma eventual ordem de remoção.

Knoploch também acionou a Justiça contra Serafini

A disputa entre os dois candidatos ganhou ainda outro capítulo na Justiça Eleitoral.

Depois de ser acionado por Serafini, Knoploch apresentou uma ação contra o adversário na noite de terça-feira (29). O alvo é uma música reproduzida no comitê do candidato do Psol, que, segundo a representação, contém termos de cunho sexual e faz referência a Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.

Knoploch afirma que o conteúdo ultrapassou os limites da manifestação política e disse ter decidido levar o caso à Justiça depois de ouvir a reclamação de uma mulher que passava pelo local enquanto ele fazia campanha.

O deputado já havia anunciado que questionaria judicialmente a música após a confusão ocorrida na Tijuca.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo