O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) adiou novamente a decisão sobre o registro de candidatura do deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ), que tenta a reeleição em 2026. Nesta terça-feira (22), os desembargadores decidiram, por unanimidade, pedir novos documentos e informações sobre acusaçõies contra o deputado antes de concluir o julgamento.
A medida foi proposta pelo desembargador Bruno Bodart, que havia pedido vista do processo na sessão de 17 de setembro. Naquela ocasião, o relator, desembargador Guilherme Calmon, havia votado pelo deferimento do registro de candidatura.
Nesta terça, Calmon concordou com a proposta de Bodart para que o processo fosse convertido em diligência. O desembargador Fábio Ribeiro Porto, que também havia votado pela candidatura, acompanhou o pedido. Com isso, a análise do registro foi novamente interrompida.
TRE-RJ quer documentos do STF e da PF
Ao apresentar seu voto, Bruno Bodart afirmou que os documentos disponíveis no processo ainda não seriam suficientes para uma análise completa das investigações envolvendo Ricardo Abrão.
Entre as informações solicitadas estão a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação de busca e apreensão contra o deputado, além de documentos de processos sigilosos que tramitam no próprio TRE-RJ.
Bodart também pediu o relatório final de um inquérito da Polícia Federal relacionado às investigações sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Os novos documentos deverão ser incorporados ao processo e disponibilizados à defesa e ao Ministério Público Eleitoral.
Ricardo Abrão é investigado pela PF
O deputado é investigado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento em um suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Nilópolis, na Baixada Fluminense.
A investigação tramita sob sigilo no STF e levou a uma operação da PF no início de setembro. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência de Ricardo Abrão, em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.
A medida foi autorizada pelo ministro Flávio Dino.
Ricardo Martins David, conhecido como Ricardo Abrão, tem 53 anos. Advogado e empresário, ele foi presidente da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis e atualmente exerce mandato de deputado federal pelo Rio de Janeiro.
Ele é sobrinho de Anísio Abraão David e primo do prefeito de Nilópolis, Abraãozinho (PL).
Após a operação da Polícia Federal, Ricardo Abrão afirmou, em nota, ter recebido a ação “com estranheza” e declarou que não participou como candidato nas eleições municipais de 2024.
“Esclareço que não participei como candidato nas eleições de 2024. Estou tranquilo e à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos necessários”, afirmou o deputado na ocasião.







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