Uma sequência de ameaças de morte, violência sexual e mensagens de exaltação ao nazismo, enviadas por e-mail a parlamentares negras de esquerda, mobilizou autoridades policiais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Depois das denúncias feitas pela deputada estadual Dani Balbi (PCdoB), as deputadas Dani Monteiro e Renata Souza, ambas do Psol, também acionaram a polícia após receberem e-mails com conteúdo semelhante, que também incluem apologia à pedofilia.
Os ataques atingiram seis parlamentares dos dois estados. Além das três deputadas fluminenses, também foram alvos das mensagens as deputadas estaduais paulistas Ediane Maria do Nascimento, Paula dos Santos e Mônica Seixas, todas do PSOL. O episódio provocou uma articulação entre os gabinetes para preservar provas, identificar os responsáveis e buscar medidas de proteção às vítimas.
As mensagens foram encaminhadas na madrugada de quarta-feira (4) aos endereços institucionais das parlamentares. Segundo as informações divulgadas pelos gabinetes, o material contém ameaças explícitas de assassinato, violência sexual contra crianças e referências ao nazismo e ao integralismo. O autor do e-mail afirma pertencer a um grupo de orientação integralista e terrorista.
Ameaças mobilizam gabinetes e autoridades
A gravidade das mensagens levou as parlamentares a adotar providências para impedir a perda de informações que possam ajudar na investigação. Entre as primeiras medidas estão pedidos de preservação dos e-mails originais e dos registros técnicos capazes de indicar a origem dos ataques.
Ofícios foram encaminhados à Coordenadoria Institucional de Segurança da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e à Presidência da Casa. Os documentos solicitam a preservação integral das mensagens, incluindo dados de recebimento e metadados que podem contribuir para rastrear o remetente.
Os gabinetes também estabeleceram contato com a Coordenação de Repressão a Crimes Cibernéticos e de Ódio da Polícia Federal (CCOD/CGCIBER/PF). Uma reunião com a participação de todas as parlamentares atingidas foi solicitada para discutir os encaminhamentos do caso.
De acordo com as informações, o material será formalmente enviado à Polícia Federal assim que os arquivos originais e os registros técnicos estiverem disponíveis. A intenção é reunir elementos que permitam identificar a autoria das ameaças e esclarecer se os ataques foram coordenados.
Tentativa de intimidação política
Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alerj, Renata Souza relacionou as ameaças à violência política de gênero e raça. Para a parlamentar, as mensagens representam uma tentativa de intimidar mulheres negras que exercem mandatos eletivos.
“A violência política de gênero e raça precisa ser combatida de maneira efetiva. Essas ameaças atentam contra a democracia, uma vez que tentam nos violentar diante da nossa atuação parlamentar. As ameaças que atentam contra a minha vida são encaminhadas diretamente à Polícia Federal. E eu não vou recuar um milímetro diante da defesa do povo”, declara a deputada.
Ataque supremacista
Dani Monteiro afirmou que já havia sido ameaçada anteriormente, mas destacou que o episódio atual apresenta características diferentes, especialmente pelas referências explícitas à supremacia racial.
“Infelizmente, não é a primeira vez que sou alvo de ameaças, mas é a primeira vez que sofro um ataque explicitamente supremacista. Assim como Renata, sou uma mulher preta e favelada, eleita para o meu terceiro mandato. O racismo e o fascismo não vão nos silenciar. Exigimos investigação célere e responsabilização. Seguiremos enfrentando essas forças na defesa dos direitos e da democracia”, concluiu Dani Monteiro.
A presença de referências neonazistas, ameaças de violência sexual e ataques direcionados a mulheres negras que ocupam cargos públicos acrescenta diferentes elementos à apuração. Além da identificação dos remetentes, caberá às autoridades avaliar a possível ocorrência de crimes relacionados a ameaças, discriminação racial e incitação à violência. A atuação conjunta dos gabinetes busca dar maior alcance às denúncias e reunir informações sobre os episódios registrados no Rio e em São







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