Uma hora e 40 minutos separaram o pedido da emissão da certidão que autorizou a transferência de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, para uma empresa do advogado Willer Tomaz. A rapidez do procedimento, realizado em 2022, chamou a atenção da atual gestão da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). O imóvel é disputado na Justiça pelo atacante Richarlison, que afirma ter pago R$ 10 milhões pela propriedade.
Certidão foi emitida manualmente
Segundo documento obtido pelo RJ2, a empresa vendedora pediu a Certidão de Autorização para Transferência (CAT) às 11h33 de 11 de julho de 2022. No requerimento, alegou urgência e afirmou que não conseguia emitir a certidão pelo sistema. O órgão atendeu ao pedido de emissão manual uma hora e 40 minutos depois.
A SPU também identificou que a decisão judicial usada para embasar a autorização não foi anexada na íntegra ao processo administrativo. A secretaria encaminhou o caso à Controladoria-Geral da União (CGU) e à Polícia Federal para que avaliem quais providências tomar.
Em outra frente, o órgão acionou o Ibama para apurar denúncias de crimes ambientais na ilha. O caso chegou à secretaria por meio de uma representação do deputado federal Rogério Correia (PT-MG).
Duas versões sobre a compra
Richarlison afirma que comprou o imóvel em 2020 de antigos ocupantes que viviam na ilha havia décadas. Em 20 de setembro de 2021, a Sport 70, empresa do jogador, protocolou na SPU um pedido para regularizar a ocupação. Segundo a atual gestão da secretaria, o processo não foi concluído.
Willer Tomaz sustenta que os antigos moradores não eram proprietários e que comprou a mansão de uma empresa que já tinha o registro do imóvel. A autorização questionada pela SPU foi emitida em julho de 2022 em favor da WT Administração, ligada ao advogado.
O atacante acusa Willer e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de terem agido juntos para retirar seus direitos sobre a mansão depois que ele se recusou a vendê-la ao parlamentar. Procurado pela reportagem da TV, Willer informou que não se manifestaria. Flávio Bolsonaro não respondeu à reportagem.







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