A disputa presidencial de 2026 não ficou restrita às urnas, aos debates ou aos palanques tradicionais. As redes sociais e os aplicativos de mensagens transformaram a música em uma das principais ferramentas de mobilização e ataque no segundo turno.
Entre hinos de campanha, adaptações virais e produções anônimas feitas com inteligência artificial (IA), os jingles se consolidaram como a verdadeira trilha sonora da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Conheça três delas:
‘Bota pra virar’: o hino da mobilização
A música que se tornou a trilha sonora da campanha de Lula no segundo turno é de autoria confirmada. Bota pra virar foi composta pelo cantor e compositor baiano Igor Kannário, conhecido como o Príncipe do Gueto, em parceria com Thalles Medina.
Originalmente lançada em 2023, a canção foi resgatada pela campanha petista para embalar a ideia de “virada” eleitoral. O hit ganhou as ruas e as redes sociais, sendo amplamente noticiado quando o presidente Lula e a primeira-dama, Janja, foram filmados dançando o jingle em Belo Horizonte, no dia 21 de outubro. A música se tornou o principal vetor de engajamento orgânico da militância nas semanas que antecederam a votação.
Tarifário Bolsonaro: deboche na web
Diversas versões de um pagodão baiano contra Flávio Bolsonaro circularam nas redes sociais, uma delas por Dodô Diplomata, artista e produtor musical conhecido por criar conteúdo de humor e sátira política. A música não faz parte da campanha oficial de Lula, sendo classificada como uma “sátira de internet”, e não uma peça de propaganda eleitoral.
A letra é um deboche direto que mistura o apelido “Tariflavio” com uma série de acusações e escândalos associados a Flávio Bolsonaro. A estrutura se repete com um refrão de duplo sentido, alternando entre o nome do senador e a expressão de baixo calão.
‘Foi o Osmarzinho’: música adaptada para ataque a senador
Enquanto a campanha de Lula tentava emplacar um hino positivo, os apoiadores do petista investiram em adaptações de jingles antigos para atacar o adversário. Um dos principais vetores de ataque a Flávio Bolsonaro foi a música “Foi o Osmarzinho”.
A autoria da música original, de 2016, permanece desconhecida. Apesar de o jingle ter viralizado na internet, o autor nunca foi identificado de forma conclusiva. A versão que atacava o senador do PL, no entanto, tem origem rastreada: foi uma adaptação divulgada pelo perfil “Lulaverso” no Instagram.
A campanha oficial chegou a utilizar essa versão em inserções de rádio, mostrando como a militância digital e a estrutura partidária caminharam juntas







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