O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira (26) que vai entregar seus passaportes à Polícia Federal (PF), após ser intimado a cumprir uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também o proibiu de deixar o Brasil. Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), o parlamentar classificou a medida como uma tentativa de intimidação e anunciou que pretende contestá-la judicialmente.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio relatou que recebeu a intimação na rua, quando deixava a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, segundo ele, cumpre prisão domiciliar.
“Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar”, declarou o senador.
Segundo Flávio, a decisão de Moraes foi tomada na noite de domingo, após a divulgação do resultado da eleição, e teria como fundamento uma declaração de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, feita em 23 de outubro, sugerindo que ele deveria deixar o país caso fosse derrotado.
“Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, questionou.
Senador questiona decisão tomada após a eleição
Flávio Bolsonaro afirmou que nunca teve intenção de deixar o Brasil e associou o momento da decisão judicial ao resultado das urnas. Na gravação, ele questionou se a mesma medida teria sido adotada caso tivesse vencido a disputa presidencial.
“Foi uma decisão tomada conforme o resultado da eleição. Uma questão política, não pode ser assim. Eu nunca pensei em sair do país”, afirmou.
O senador também relatou que foi abordado pela Polícia Federal quando saía da casa do pai.
“Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, disse.
As declarações representam a versão apresentada pelo parlamentar. A gravação, por si só, não permite confirmar os fundamentos jurídicos da decisão nem estabelecer que a medida tenha sido motivada pelo resultado eleitoral.
Flávio anuncia pedido de cassação da chapa de Lula
Além de contestar a determinação de Moraes, Flávio Bolsonaro anunciou que pretende pedir à Justiça Eleitoral a cassação da chapa do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva.
O senador questionou a decisão que permitiu a retomada da apuração eleitoral até as 19h de domingo e levantou suspeitas sobre possíveis consequências da medida. Ele não apresentou, no vídeo, provas de alteração de votos ou de fraude na totalização.
“O que aconteceu nesse intervalo de tempo, ninguém consegue entender. Isso precisa ser esclarecido. Ninguém sabe exatamente o impacto disso”, afirmou.
Flávio também acusou o governo Lula de utilizar recursos públicos para favorecer a reeleição e de promover desinformação durante a campanha. As acusações foram feitas sem apresentação de documentos ou elementos comprobatórios na gravação.
“Então eu vou pedir sim a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo, a competição tem que ser justa”, declarou.
O senador acrescentou que considera a disputa desequilibrada e afirmou: “Não fui eu que perdi, foi o sistema que ganhou”.
Oposição será organizada no Congresso
Apesar da derrota presidencial, Flávio Bolsonaro sinalizou que pretende assumir um papel de articulação da oposição ao novo mandato de Lula. Ele anunciou que vai reunir deputados e senadores eleitos para definir uma estratégia de atuação no Congresso Nacional.
“Eu vou reunir os deputados e senadores eleitos para organizar a nossa estratégia e fazer da Câmara e do Senado a nossa fortaleza contra a barbárie que já está desenhada para acontecer com mais quatro anos de Lula”, afirmou.
Na gravação, o senador também agradeceu aos quase 60 milhões de eleitores que, segundo ele, apoiaram sua candidatura, e criticou as perspectivas econômicas do país. Suas previsões de agravamento da inflação e deterioração da economia não foram acompanhadas de dados que permitam confirmá-las.
Ao encerrar a mensagem, Flávio reiterou que pretende continuar na oposição e resistir às medidas que considera injustas.
“Não vão me calar, não vão me intimidar. Bora levantar a cabeça e continuar lutando pelo nosso Brasil”, concluiu.
A contestação anunciada por Flávio ocorre em meio à avaliação de ministros do TSE e do STF de que não há elementos suficientes para invalidar o resultado da eleição presidencial.
Assista o vídeo de Flávio:







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