O empresário Raphael Andrade de Souza, proprietário da oficina de motocicletas Rafa Motos, foi assassinado a tiros no sábado (7), em Nilópolis, na Baixada Fluminense. O crime aconteceu dentro do estabelecimento onde, pouco mais de dois meses antes, ele havia sobrevivido a outro ataque armado que terminou com três homens mortos e uma mulher ferida. A repetição da violência no mesmo endereço é um dos aspectos que cercam a investigação do novo homicídio.
Segundo relatos de testemunhas, criminosos armados com fuzis invadiram a oficina, localizada na Avenida Roberto Silveira, no bairro Olinda, em frente à estação ferroviária, e dispararam contra Raphael. O empresário morreu no local. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre a identidade dos autores ou a motivação do assassinato.
Polícia investiga execução dentro da oficina
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) foi acionada para realizar a perícia no estabelecimento e instaurou um inquérito para investigar o assassinato. De acordo com a Polícia Civil, testemunhas serão convocadas para prestar depoimentos, enquanto agentes realizam diligências para identificar os responsáveis e esclarecer a dinâmica da ação criminosa.
Os investigadores também deverão apurar as circunstâncias do homicídio. Não há confirmação oficial de que a execução de sábado esteja relacionada ao atentado ocorrido em agosto. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o velório e o sepultamento de Raphael.
Empresário havia escapado de atentado em agosto
No dia 27 de agosto, Raphael já havia sido alvo de disparos durante um ataque armado contra sua oficina. Na ocasião, várias pessoas que estavam no estabelecimento foram atingidas. O empresário foi socorrido e levado ao Hospital Municipal Juscelino Kubitschek, em Nilópolis. Após receber atendimento médico, teve alta no dia seguinte.
O episódio deixou três homens mortos e duas pessoas feridas, incluindo o proprietário da loja. Entre as vítimas fatais estava o segundo sargento da Marinha Yuri Cardoso Dias Barreto, de 38 anos. Yuri havia procurado a oficina para verificar um problema em sua motocicleta. Enquanto aguardava a avaliação de um funcionário, acabou sendo atingido pelos disparos e morreu no local.
O militar foi sepultado no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, na Zona Norte do Rio, em uma cerimônia marcada por homenagens de familiares, amigos e integrantes da Marinha. Casado e pai de dois filhos, Yuri era lembrado por pessoas próximas pela dedicação à família, à profissão e pela paixão pelo Vasco da Gama.
Ex-PM investigado por ligação com milícia também morreu
Outra vítima fatal do ataque de agosto foi Antônio José Torres Guimarães. Segundo a Prefeitura de Duque de Caxias, ele chegou sem vida ao Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, após ser atingido por diversos tiros. Antônio foi sepultado no Cemitério de Olinda, em Nilópolis.
A terceira morte foi confirmada dois dias depois do atentado. O ex-policial militar Wellington do Nascimento Mello, de 40 anos, estava internado em estado gravíssimo no Hospital Geral de Nova Iguaçu.
Ele havia sido atingido por vários disparos e passou por uma cirurgia de emergência. Após o procedimento, permaneceu no Centro de Terapia Intensiva (CTI), mas sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.
Wellington tinha antecedentes relacionados a uma investigação sobre a atuação de grupos paramilitares na Baixada Fluminense. Em 2022, o então policial foi preso durante uma operação contra uma milícia que atuava em Nilópolis. Em novembro daquele ano, acabou excluído dos quadros da Polícia Militar a bem da disciplina.
Mulher baleada recebeu alta hospitalar
Além dos três homens que morreram e do proprietário da oficina, uma mulher também ficou ferida no ataque de agosto. Bruna Kelly Barbosa de Lima, de 23 anos, foi atingida por um tiro na coxa direita e encaminhada ao Hospital Geral de Nova Iguaçu.
Ela recebeu atendimento médico e teve alta hospitalar, com recomendação de acompanhamento ambulatorial. A Polícia Civil busca esclarecer quem participou da nova execução e se existe alguma ligação entre os dois episódios de violência registrados no mesmo estabelecimento em um intervalo de pouco mais de dois meses.







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