O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou o projeto para a construção de um condomínio residencial na Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro do Rio. O empreendimento será instalado em uma área atualmente utilizada como estacionamento e fará parte do programa Reviver Centro.
A aprovação ocorreu após cerca de 12 anos de discussões e mudanças na proposta. O terreno, de 79 mil metros quadrados, fica no entorno de três imóveis tombados pelo Iphan: a Santa Casa de Misericórdia, a antiga sede do Ministério da Fazenda e a Igreja de Santa Luzia.
O projeto prevê duas torres residenciais, que poderão reunir entre 500 e 700 apartamentos. Entre os edifícios haverá uma área livre destinada a preservar a visibilidade da Santa Casa, localizada na Rua Santa Luzia.
Torres terão limite de 64 metros
De acordo com Otávio Grimberg, fundador e presidente da SIG Engenharia, proprietária da área, as torres terão no máximo 64 metros de altura. O limite foi definido nas negociações com o Iphan e considera como referência a altura do antigo prédio do Ministério da Fazenda, situado em frente ao terreno.
A proposta também prevê um vão livre de aproximadamente 21 mil metros quadrados. A medida foi incorporada ao projeto para permitir que as pessoas que circularem pela região mantenham a visão da Santa Casa e para contribuir com a valorização do conjunto arquitetônico protegido.
Segundo Grimberg, essa configuração não fazia parte da versão inicial do empreendimento. O projeto passou por alterações ao longo das negociações com o Iphan justamente em razão das características históricas dos imóveis localizados no entorno.
A empresa já protocolou o projeto na Secretaria municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDUR). Após as aprovações necessárias, a previsão informada pela incorporadora é de que as obras tenham duração entre 24 e 30 meses.
Projeto mudou de comercial para residencial
Quando as primeiras discussões com o Iphan começaram, a intenção era construir um edifício comercial, com lajes corporativas. Empresas dos setores de óleo e gás chegaram a ser consideradas como possíveis ocupantes do empreendimento.
O cenário do mercado, porém, mudou durante a década passada. A crise envolvendo o setor de óleo e gás, em meio às investigações da Operação Lava Jato e à queda dos preços internacionais do petróleo, afetou a perspectiva para o projeto original.
Posteriormente, a pandemia agravou o esvaziamento do Centro do Rio. Com o lançamento do Reviver Centro pela prefeitura, em 2021, a empresa decidiu alterar a finalidade do empreendimento e passou a trabalhar com a proposta de uso residencial.
Iphan condiciona novas construções à preservação
Em nota, o Iphan confirmou a liberação do projeto e ressaltou que intervenções em bens tombados ou em suas áreas de entorno precisam de autorização prévia do instituto.
O órgão informou que o objetivo da análise é garantir a preservação do patrimônio cultural e avaliar a compatibilidade de novos empreendimentos com os imóveis protegidos. Segundo o Iphan, construções no entorno de bens tombados são possíveis quando os projetos seguem os critérios de preservação e não prejudicam a ambiência nem a visibilidade dos imóveis protegidos.
Com a aprovação do instituto e o andamento do processo municipal, o empreendimento poderá avançar para as próximas etapas de licenciamento e detalhamento. O número definitivo de apartamentos ainda será definido no desenvolvimento do projeto.







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