A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) elevou a previsão de crescimento da economia brasileira neste ano. A nova estimativa aponta expansão de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), acima dos 1,6% projetados pela entidade em junho.
A revisão aparece no relatório “Resistindo a choques sucessivos”, divulgado nesta quarta-feira (23). O documento também apresenta uma perspectiva ligeiramente mais favorável para a economia mundial: a projeção de crescimento global passou de 2,8% para 2,9%.
Segundo a OCDE, a atividade econômica internacional continua submetida a pressões provocadas pela guerra no Oriente Médio, principalmente por meio do encarecimento da energia. Apesar disso, diferentes economias demonstraram capacidade de absorver parte dos impactos e crescer acima das expectativas anteriores.
Demanda interna sustenta Brasil
Ao analisar as economias emergentes, a organização coloca o Brasil entre os países que apresentaram maior resistência aos choques externos. A demanda interna e medidas adotadas pelos governos aparecem entre os fatores que contribuíram para esse desempenho.
“O crescimento de várias economias emergentes do G20, como Índia, Indonésia e Brasil, foi sustentado pela resiliência da demanda doméstica e por políticas governamentais que amorteceram o impacto dos preços mais altos da energia sobre famílias e empresas”, diz um trecho do relatório.
A avaliação ajuda a explicar a revisão de 0,4 ponto percentual na projeção brasileira em relação à estimativa apresentada quatro meses atrás.
O cenário descrito pela OCDE ocorre apesar da pressão exercida pelos preços de energia, que aumentaram em meio ao conflito no Oriente Médio. A organização destaca que os efeitos, embora relevantes, não impediram que diferentes países registrassem atividade econômica mais forte do que se projetava anteriormente.
Inteligência artificial impulsiona investimentos
Outro fator destacado no relatório é a expansão dos investimentos relacionados à inteligência artificial. Segundo a OCDE, os aportes em infraestrutura tecnológica contribuíram para aumentar a resistência da economia mundial diante dos sucessivos choques.
“Em alguns países, como Estados Unidos, Canadá e Austrália, o crescimento do PIB real no segundo trimestre foi impulsionado pelos investimentos em estruturas para data centers e equipamentos tecnológicos. Isso estimulou o crescimento de países que produzem intensivamente os componentes tecnológicos e de construção relacionados a esses investimentos”, afirma o documento.
Coreia do Sul, Japão e China estão entre as economias beneficiadas pela demanda por equipamentos, componentes e infraestrutura associados à expansão dos data centers e da inteligência artificial.







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