Compras em sites estrangeiros disparam 67% após fim da ‘taxa das blusinhas’

Importações de pequenas encomendas movimentaram R$ 8,2 bilhões entre junho e agosto; indústria têxtil cobra redução de tributos para enfrentar concorrência estrangeira

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

As compras de brasileiros em sites estrangeiros avançaram fortemente após o fim da chamada “taxa das blusinhas”, informa a Folha de S. Paulo. Entre junho e agosto deste ano, a importação de pequenas encomendas cresceu 67% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Receita Federal compilados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Nos três meses, consumidores brasileiros receberam US$ 1,61 bilhão, o equivalente a aproximadamente R$ 8,2 bilhões, em mercadorias compradas no exterior. No mesmo intervalo do ano passado, quando estava em vigor a alíquota federal de 20%, o montante foi de US$ 867 milhões, cerca de R$ 4,9 bilhões em valores corrigidos.

A expansão ficou ainda mais evidente em agosto. O número de mercadorias importadas chegou a 26,5 milhões, contra 15,2 milhões no mesmo mês de 2025, crescimento de 74%.

O levantamento considera todas as encomendas processadas por meio do Programa Remessa Conforme, da Receita Federal, e não apenas as compras de até US$ 50, atualmente isentas do Imposto de Importação.

Indústria cobra redução de impostos

A Abit, que se posicionou contra o fim da tributação federal, sustenta que a mudança ampliou a diferença de tratamento tributário entre produtos fabricados no Brasil e mercadorias adquiridas diretamente de empresas estrangeiras.

“Se não querem aumentar o imposto de importação, que zerem os impostos federais que afetam a competitividade da indústria”, diz Fernando Pimentel, presidente da Abit, citando PIS e Cofins. “Nós não temos medo da concorrência”.

Segundo a entidade, produtos têxteis representam até 40% das remessas internacionais recebidas pelos consumidores brasileiros. O setor calçadista também está entre os segmentos que questionam a retirada da cobrança federal.

A Abit afirma ainda que a produção têxtil recuou 6,8% em julho na comparação com o mesmo mês de 2025, enquanto a produção de confecções caiu 8,2%. Até junho, mais de 13 mil postos formais de trabalho haviam sido eliminados no setor.

Setor aponta “tempestade perfeita”

O próprio presidente da Abit pondera, no entanto, que o desempenho negativo da indústria não pode ser atribuído exclusivamente ao fim da “taxa das blusinhas”. Outros fatores também vêm pressionando as empresas brasileiras, como o crescimento das importações convencionais, a redução das vendas no mercado doméstico, os custos dos fretes e os juros elevados.

“Estamos vivendo uma tempestade perfeita”, diz.

A mudança na tributação federal foi adotada pelo governo Lula em maio deste ano e posteriormente aprovada pelo Congresso. Em setembro, a nova regra foi transformada em lei, restabelecendo a isenção do Imposto de Importação para as remessas enquadradas no limite estabelecido pela legislação. A Lei 15.502, que alterou as regras de tributação simplificada das remessas internacionais, foi sancionada em 10 de setembro.

Taxa havia sido criada em 2024

A cobrança federal de 20% sobre encomendas de até US$ 50 começou a valer em agosto de 2024. A medida havia sido aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o argumento de reduzir a diferença tributária enfrentada pelo comércio e pela indústria nacionais diante de produtos importados de baixo valor.

Além da tributação federal, as compras internacionais também estão sujeitas ao ICMS estabelecido pelos estados.

A retirada da alíquota federal ocorreu em maio de 2026, a menos de cinco meses das eleições. Os números dos três meses seguintes mostram uma forte expansão das compras internacionais, embora os dados, isoladamente, não permitam atribuir todo o crescimento exclusivamente à mudança tributária.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo