Os funcionários da Caixa Econômica Federal decidiram manter a greve após rejeitarem, nesta segunda-feira (21), a nova proposta apresentada pelo banco para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) de 2027. No Rio de Janeiro, 82,33% dos participantes da votação se posicionaram contra o acordo.
A consulta terminou às 18h e contou com 2.771 bancários e bancárias, número correspondente a mais de 78% da base no estado. Os empregados da Caixa estão em greve por tempo indeterminado desde o último dia 10.
Um dos principais pontos de divergência é o Saúde Caixa. Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, José Ferreira, as mudanças na participação da empresa e dos empregados no custeio do plano contribuíram para a insatisfação.
“Boa parte de nós, quando fomos contratados na empresa, tínhamos uma relação de custeio do plano de 70% custeado pela empresa, e 30% pelos empregados. A Caixa fez alterações hoje, por exemplo, e agora esse custeio está 55% para a empresa e 45% para o empregado”, afirmou.
Saúde Caixa está no centro do impasse
A proposta apresentada pelo banco elevava o teto de participação da Caixa no custeio do plano para 9% da folha. Os trabalhadores também reivindicam a manutenção do Saúde Caixa no acordo coletivo e mudanças nas regras de cobrança.
Para os empregados ativos, a proposta estabelecia contribuição de 3,7% para o titular. Para os dependentes, os valores seriam de R$ 560 para dependente direto, R$ 660 para filhos entre 21 e 24 anos e R$ 900 para filhos de 24 a 27 anos e pais e mães remanescentes.
O limite para o grupo familiar seria de 9%, considerando titular e dependentes diretos. A proposta também reduzia de R$ 150 para R$ 120 a cobrança por consultas em pronto atendimento e mantinha a isenção de coparticipação na telemedicina.
Segundo as condições apresentadas, não haveria reajuste das mensalidades em 2026, e a Caixa assumiria o déficit do plano.
Sindicato havia recomendado aprovação
Apesar das críticas ao texto, o Sindicato dos Bancários do Rio, o Comando Nacional e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro-CUT haviam orientado os funcionários a aprovarem a proposta.
Segundo José Ferreira, a recomendação buscava evitar que o impasse terminasse em um dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
“Nossa indicação pela aprovação era menos sobre a proposta da Caixa, que a gente acha realmente que é insuficiente, e mais pelo impasse parar no Tribunal Superior do Trabalho. Se entrar com dissídio, sai da nossa mão”, explicou.
A votação ocorreu digitalmente pelo aplicativo VotaBem. A última rodada de negociação havia sido realizada na quarta-feira (16), quando a nova proposta foi apresentada.
Greve continua por tempo indeterminado
Além das alterações relacionadas ao Saúde Caixa, a proposta mantinha o pagamento de R$ 3 mil por empregado em reconhecimento ao atingimento do IEO em junho de 2026.
O texto também previa PLR, Super Caixa e abono de R$ 3 mil em 30 de setembro, além de mudanças no programa de remuneração variável e no modelo operacional híbrido.
Em relação aos dias parados, a proposta previa o abono de 20 de agosto e a compensação dos demais dias úteis em até 180 dias.
Com a rejeição, o sindicato informou que comunicará formalmente o resultado das assembleias à Caixa. A expectativa agora é saber se o banco retomará as negociações ou considerará encerrada a discussão, levando o impasse para a Justiça do Trabalho.







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