IG4 prepara proposta para assumir controle da Raízen em recuperação extrajudicial

A gestora pretende apresentar nas próximas semanas uma oferta vinculante aos credores da companhia, cuja dívida está estimada em R$ 65 bilhões

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

A IG4 Capital prepara uma oferta vinculante para assumir o controle da Raízen, empresa que atravessa o maior processo de recuperação extrajudicial em andamento no Brasil, segundo fontes do mercado ouvidas pela reportagem de O Globo. A expectativa é que a proposta seja apresentada aos credores nas próximas semanas.

A gestora já havia apresentado, há cerca de dois meses, uma oferta não vinculante para a companhia. Desde então, uma equipe dedicada passou a estudar o negócio e estruturar uma proposta que permita à IG4 obter o controle da empresa.

A dívida da Raízen está estimada em aproximadamente R$ 65 bilhões. O processo envolve uma estrutura complexa de credores, que inclui bancos, investidores em títulos da companhia, debenturistas e detentores de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).

Estratégia envolve compra de créditos

Segundo pessoas familiarizadas com as negociações, a estratégia da IG4 é adquirir mais de 50% dos créditos da Raízen. Com essa participação, a gestora pretende obter controle suficiente para promover mudanças na estrutura do negócio durante o processo de recuperação.

Os credores representam cerca de 80% do negócio. A IG4 vem mantendo negociações individualmente com diferentes credores e também com grupos que participam da reestruturação financeira da companhia.

A proposta em preparação prevê pagamento à vista, combinado com direitos creditórios. Nesse modelo, o credor transfere seus créditos para a gestora e recebe, em contrapartida, direitos que podem ser convertidos em ações da nova estrutura empresarial.

Modelo prevê mudanças na estrutura da Raízen

A alternativa também permite que os credores recebam os valores posteriormente, após a conclusão da recuperação extrajudicial. A estrutura tem semelhança com a estratégia adotada pela IG4 na Braskem, onde a gestora também trabalha com direitos creditórios.

O plano de recuperação da Raízen prevê a separação das atividades da companhia, que atualmente é uma joint venture formada por Shell e Cosan. A estrutura planejada divide o negócio entre uma operação de combustíveis e outra voltada ao setor de açúcar e álcool.

A divisão dos ativos está entre os pontos que interessam à IG4 na avaliação da companhia. A gestora vem analisando a estrutura do negócio antes de formalizar a oferta vinculante aos credores.

Raízen reúne diferentes grupos de credores

A quantidade e a diversidade dos credores tornam a negociação mais complexa. Além das instituições financeiras, participam da estrutura investidores que detêm títulos da empresa, debêntures e certificados relacionados ao agronegócio.

A IG4, que também participa da reestruturação da Braskem, tem concentrado esforços na análise da situação financeira e operacional da Raízen para definir os termos da eventual aquisição dos créditos.

A oferta vinculante ainda está em preparação e deverá ser apresentada aos credores nas próximas semanas. A partir da proposta, os grupos envolvidos poderão avaliar as condições para uma eventual transferência de controle da companhia.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo