Messias e Andrei Rodrigues têm discussão tensa diante de Lula em meio à crise do Master

Chefe da AGU questionou diretor-geral da PF sobre suposto monitoramento e ouviu negativa; desentendimento expõe fissuras no governo provocadas pelas investigações do Banco Master

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O advogado-geral da União, Jorge Messias, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, protagonizaram uma discussão tensa diante do presidente Lula (PT), no Palácio do Planalto, em meio às divergências provocadas pelas investigações do Banco Master. O encontro ocorreu no último dia 4 e teve como principal ponto de atrito a suspeita de Messias de que estaria sendo monitorado pela inteligência da PF. As informações foram publicada pela jornalista Marcela Mattos no portal UOL.

Andrei chegou ao gabinete presidencial após Lula e Messias participarem de uma cerimônia sobre a sanção de leis relacionadas ao sistema de Justiça. Ao encontrar o chefe da PF, o advogado-geral foi diretamente ao assunto.

“Você está me espionando?”, questionou Messias. Em seguida, acrescentou: “É verdade que estão monitorando o meu telefone?”

Segundo relatos de pessoas que tiveram conhecimento da conversa, o encontro foi marcado por um ambiente “duro”, “tenso” e “ríspido”. Lula acompanhou toda a discussão entre os dois auxiliares.

Andrei nega monitoramento

Diante do presidente, Andrei negou categoricamente que a PF estivesse monitorando Messias. Posteriormente, o diretor-geral sustentou formalmente perante o Supremo Tribunal Federal que os relatórios produzidos pela corporação não representavam vigilância ilegal de autoridades.

A pessoas próximas, segundo relato publicado pelo UOL, Andrei afirmou que reagiu em tom elevado à cobrança, classificou a atitude de Messias como “chilique” e disse que o advogado-geral, que é evangélico, deveria dar sermão na igreja, e não no Palácio do Planalto.

Messias, por sua vez, não teria ficado convencido pelas explicações e alertou Andrei de que ele poderia ser formalmente responsabilizado caso houvesse irregularidades.

O episódio aprofundou divergências que já existiam entre a cúpula da PF e a AGU sobre a condução das investigações do Banco Master. A Polícia Federal defendia uma reação a decisões do ministro André Mendonça, relator de parte das apurações, enquanto a Advocacia-Geral da União resistia a contestá-las por avaliar, entre outros pontos, que não tinha competência para atuar na esfera criminal.

Afastamento aumenta crise

Quatro dias depois da discussão, André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da direção-geral da PF e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. O ministro afirmou ter sido submetido a “monitoramento sistemático” e classificou como ilícita a produção dos relatórios de inteligência.

Os documentos, porém, não apresentaram registros de vigilância física, interceptação telefônica ou acesso a dados de localização de Mendonça. O material reuniu análises de inteligência, informações de fontes abertas e relatos sobre reuniões e sobre a condução das investigações pelo ministro.

A decisão provocou outro confronto entre Messias e Andrei. O advogado-geral decidiu recorrer do afastamento, mas o diretor da PF rejeitou ser representado pela AGU.

“Você está proibido de recorrer em meu nome”, disse Andrei.

Messias respondeu: “Eu vou recorrer em nome do presidente da República”.

Na mesma conversa, o advogado-geral negou qualquer participação na decisão de Mendonça e ironizou: “Se eu tivesse de fazer alguma coisa com você, eu teria mandado te prender. Então, se não foi preso, não fui eu”.

Andrei recusou a assistência jurídica da AGU e constituiu uma advogada particular. A AGU, por sua vez, sustentou que o afastamento interferia na competência do presidente da República para nomear e exonerar o diretor-geral da Polícia Federal.

Relatório ampliou desconfiança

Um dos principais focos da disputa é um relatório de inteligência da PF que analisou a atuação de Mendonça e a postura de Messias diante das investigações. O documento mencionava, entre outros elementos, a “matriz religiosa comum” entre ambos e levantava hipóteses para a decisão da AGU de não questionar atos do ministro do STF.

Em determinado ponto, o material registrava que as informações reunidas não autorizavam “providência formal ou manifestação externa”. Logo depois, porém, aparecia a expressão “Autoriza monitoramento e coleta dirigida”. Esse trecho reforçou a suspeita de Messias de que poderia estar sendo acompanhado pela inteligência da corporação.

Andrei nega que tenha ocorrido espionagem. Em manifestação posterior ao STF, afirmou que os documentos foram produzidos regularmente e em cumprimento a determinações judiciais.

A disputa em torno do Banco Master ultrapassou as investigações e abriu uma crise que envolve integrantes da PF, da AGU e ministros do Supremo. Para Lula, o desafio passou a ser também impedir que as divergências entre autoridades de seu próprio governo ampliem o impacto político do caso.

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