Nunes Marques prepara novas exigências para pesquisas no 2º turno e comunicará institutos

Presidente do TSE prepara novas regras sobre metodologia após enfrentar resistência a mudanças mais amplas nas regras das pesquisas eleitorais

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, prepara uma mudança no registro das pesquisas eleitorais para um eventual segundo turno das eleições de 2026. Nos próximos dias, o ministro deve enviar um ofício aos institutos informando que o sistema da Corte passará a exigir informações mais detalhadas sobre a metodologia utilizada nos levantamentos.

A iniciativa surge como uma alternativa a alterações mais profundas nas regras das pesquisas eleitorais, discutidas internamente pelo presidente do TSE. Nunes Marques encontrou dificuldades para construir consenso entre os demais ministros em torno de uma nova resolução a poucos dias do primeiro turno.

Pelas regras atualmente em vigor, as empresas já precisam registrar no sistema PesqEle informações como metodologia, período de realização, plano amostral, ponderações, nível de confiança, margem de erro, sistema de controle da coleta e questionário completo. A mudança em preparação pretende ampliar o grau de detalhamento exigido para os levantamentos do segundo turno.

Suspensão de pesquisa abriu debate

A discussão ganhou força depois que Nunes Marques determinou, em junho, a suspensão da divulgação de uma pesquisa AtlasIntel sobre a corrida presidencial. A decisão atendeu parcialmente a uma representação apresentada pelo PL, que questionava perguntas relacionadas a Flávio Bolsonaro.

Ao conceder a liminar, o ministro considerou haver indícios de possível indução dos entrevistados. Entre os pontos questionados estava a utilização de um áudio durante a aplicação do questionário. A decisão determinou que a AtlasIntel apresentasse documentação técnica complementar sobre sua metodologia.

O caso chegou ao plenário do TSE. Nunes Marques votou pela manutenção da suspensão, mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista da ministra Estela Aranha. Na ocasião, o presidente da Corte sustentou que a autonomia técnica dos institutos não impede a atuação da Justiça Eleitoral quando existirem indícios de desvirtuamento da pesquisa.

Mudanças mais amplas enfrentaram resistência

A partir do episódio, Nunes Marques passou a discutir formas de ampliar a fiscalização sobre os levantamentos eleitorais. Em julho, o presidente do TSE criou um grupo de trabalho destinado especificamente ao aprimoramento das atividades relacionadas às pesquisas.

Nos bastidores da Corte, porém, propostas mais abrangentes não conseguiram reunir consenso. Uma das ideias discutidas era a criação de um selo para destacar institutos cujas pesquisas apresentassem resultados mais próximos dos números efetivamente registrados nas urnas.

A proposta, no entanto, não deve avançar. Nesse cenário, a exigência de informações metodológicas mais detalhadas no PesqEle passou a ser considerada uma solução mais limitada para o segundo turno.

Segundo turno está marcado para 25 de outubro

O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro. Caso nenhuma candidatura à Presidência alcance a maioria necessária, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

Pelo calendário eleitoral, 19 de outubro será o último dia para registrar no PesqEle levantamentos realizados antes do segundo turno que os institutos pretendam divulgar no próprio dia da votação.

A expectativa agora é que o ofício de Nunes Marques detalhe quais informações adicionais deverão ser fornecidas pelas empresas. Até a divulgação dessas orientações, ainda não estão definidos publicamente todos os novos campos ou requisitos que serão exigidos pelo sistema.

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