Os acenos que Lula fará durante o ato em São Gonçalo

Ao escolher São Gonçalo para um ato na reta final do primeiro turno, Lula entra diretamente no território político de Ruas e tenta transformar anúncios de investimentos e empregos em uma agenda capaz de dialogar com o eleitorado da Baixada e da Região Metropolitana

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Ronald Nogueira

Lula vai a São Gonçalo amanhã, com um pacote de acenos cuidadosamente direcionado ao eleitorado da Região Metropolitana. No ato, o presidente deverá explorar a agenda de geração de empregos e prometer novos investimentos no Comperj, além de reforçar a intenção do governo de ampliar a retomada da indústria naval em Niterói e São Gonçalo. A escolha do município não é casual: São Gonçalo é o principal reduto eleitoral de Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio.

A aposta de Lula será associar a presença do governo federal na região a uma nova frente de desenvolvimento industrial. Entre os projetos que deverão ser apresentados estão a instalação de data centers, termelétricas e uma nova planta de fertilizantes, além da retomada de atividades ligadas ao antigo Comperj, hoje Polo de Energias Boaventura. O discurso será o de que o eixo São Gonçalo-Itaboraí pode voltar a ser um dos motores da economia fluminense, com a criação de empregos como principal argumento político.

A indústria naval também entra no roteiro. Lula deverá defender a ampliação dos investimentos no setor em Niterói e São Gonçalo, municípios que carregam uma tradição de estaleiros e que foram diretamente afetados pelo encolhimento da atividade nos últimos anos. A intenção é apresentar a retomada da cadeia de petróleo e gás e dos contratos para o setor naval como parte de uma política mais ampla de reindustrialização do Estado do Rio.

Nos bastidores, aliados de Lula trabalham ainda com uma visão mais ambiciosa para a região. Washington Quaquá aposta na integração entre o complexo da Reduc e o Porto de Maricá, formando um corredor de desenvolvimento que reúna energia, indústria, logística e exportação. A ideia é aproveitar a infraestrutura já existente e conectar os investimentos em Itaboraí, São Gonçalo e Maricá em um mesmo projeto de desenvolvimento econômico.

O movimento terá, portanto, uma dimensão econômica e outra eleitoral. Ao escolher São Gonçalo para um ato na reta final do primeiro turno, Lula entra diretamente no território político de Ruas e tenta transformar anúncios de investimentos e empregos em uma agenda capaz de dialogar com o eleitorado da Baixada e da Região Metropolitana.

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