A Yduqs, dona da Estácio e do Ibmec, e a Afya assinaram nesta quarta-feira (23) o acordo para unir as operações das duas companhias. As empresas já haviam confirmado, no fim de agosto, que negociavam uma possível fusão.
A operação pretende combinar as plataformas das duas empresas, reunindo a atuação da Afya em educação médica e saúde com a presença da Yduqs no ensino superior em larga escala. A estratégia também busca ampliar a escala das operações em um mercado marcado pelo crescimento do número de cursos de medicina e pela maior concorrência.
Com a união, as duas companhias terão, juntas, valor de mercado superior a R$ 9,2 bilhões. A Yduqs é avaliada em aproximadamente R$ 2,98 bilhões, enquanto a Afya tem valor de mercado estimado em US$ 1,2 bilhão, equivalente a cerca de R$ 6,2 bilhões.
Sinergias podem chegar a R$ 2,2 bilhões
A estimativa divulgada pelas empresas aponta que a combinação das operações poderá gerar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões em sinergias. Cerca de 80% desse valor poderá ser alcançado nos três primeiros anos após a conclusão da transação.
Pelos termos do acordo, a Afya será incorporada pela Yduqs e posteriormente deixará de existir como companhia independente. A empresa resultante continuará listada no Novo Mercado da B3.
Os acionistas da Afya ficarão com 69% da companhia combinada, enquanto os acionistas da Yduqs terão os 31% restantes. O acordo também prevê o pagamento de pelo menos R$ 750 milhões em dividendos pela Yduqs, desde que sejam atendidas as condições estabelecidas para a operação.
Fusão ainda depende de aprovações
A previsão é de que a transação seja concluída até 31 de março de 2028. O negócio ainda precisa ser aprovado pelos acionistas das duas companhias e pelos órgãos reguladores competentes, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Os principais acionistas das empresas também assumiram compromissos relacionados à aprovação da operação. Entre eles estão a família Zaher e a Advent, na Yduqs, e a Bertelsmann e a família Esteves, na Afya.
O acordo estabelece ainda obrigações para os acionistas envolvidos, incluindo compromissos de participação e votação nas assembleias destinadas a analisar a fusão.
Medicina concentra estratégia da nova companhia
A área de medicina é considerada um segmento de maior valor dentro do ensino superior privado. Na Idomed, unidade de medicina da Yduqs, o tíquete médio de um aluno matriculado há mais de um ano foi de R$ 13.037 no primeiro semestre. Nos demais cursos presenciais da companhia, a mensalidade média foi de R$ 973.
A Yduqs possui aproximadamente 11,8 mil estudantes de medicina entre os cerca de 380 mil alunos de cursos presenciais. A Afya, por sua vez, opera 38 instituições voltadas à área de saúde no Brasil, sendo 32 com cursos de medicina.
Com a fusão, as empresas passam a reunir cerca de 38 mil estudantes de medicina e quase 5,9 mil vagas anuais na área, segundo os dados apresentados ao mercado.
Educação continuada e tecnologia entram no foco
A nova companhia também pretende ampliar a atuação em educação continuada. A estratégia inclui cursos preparatórios para exames de residência, pós-graduações médicas e preparação para provas de título e especialização.
A Afya tinha mais de 56 mil alunos ativos nessa frente ao fim de junho. A empresa também atua no desenvolvimento de soluções tecnológicas para profissionais de saúde.
Entre essas ferramentas está o Whitebook, plataforma voltada ao apoio à decisão clínica. A companhia também oferece soluções digitais que utilizam inteligência artificial e outros recursos tecnológicos aplicados à prática médica.
Resultados das duas empresas
No segundo trimestre de 2026, a Yduqs registrou lucro líquido de R$ 14 milhões, uma queda de 54,2% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado do primeiro semestre, o lucro foi de R$ 11 milhões, recuo de 11% na comparação anual.
A Afya, listada na Bolsa de Nova York, registrou lucro líquido de R$ 463 milhões no primeiro semestre de 2026. O resultado representou crescimento de 6,8% sobre os seis primeiros meses de 2025.
A combinação das operações ocorre após outros movimentos de expansão da Yduqs. Em 2019, a companhia comprou a Adtalem Brasil, controladora do Ibmec, por R$ 1,92 bilhão.
Antes disso, em 2016, a então Estácio anunciou uma fusão com a Kroton, atualmente Cogna, em uma operação estimada em R$ 5,5 bilhões. A transação, porém, foi barrada pelo Cade no ano seguinte.
Assessoria da operação
A Yduqs contou com assessoria do BTG Pactual e dos escritórios Lobo de Rizzo e Spinelli Advogados, além de Milbank LLP e Conyers Dill & Pearman. A família Zaher foi assessorada por Dikaios e Pinheiro Neto Advogados.
Do lado da Afya, participaram da operação Bank of America Merrill Lynch, Banco Múltiplo, Demarest Advogados, Caminati Bueno Advogados, Maples and Calder LLP e Davis Polk & Wardwell LLP.







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