O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (3) a liquidação extrajudicial da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e da Banvox Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), duas corretoras sediadas em São Paulo. Segundo a autoridade monetária, a medida foi tomada após a identificação de graves violações às normas que disciplinam o funcionamento das instituições.
A Trustee possui histórico de ligação com Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master. Depois do rompimento com Daniel Vorcaro, controlador do banco, Quadrado assumiu o controle da corretora, que prestava serviços ao Master.
O Banco Master teve sua própria liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central no ano passado. Vorcaro foi preso no âmbito das investigações sobre fraudes envolvendo a instituição e responde aos processos relacionados ao caso.
Banvox também é ligada a Quadrado
A Banvox DTVM, igualmente ligada a Maurício Quadrado, foi fundada em 1984. A instituição recebeu autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para administrar carteiras de investimento em 1991 e, a partir de 2016, passou a concentrar suas atividades na administração e custódia de fundos próprios.
A empresa também administrava ao menos um fundo citado na Operação Carbono Oculto, investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro e suspeitas de conexões com o crime organizado.
A operação teve entre os alvos a gestora Reag Investimentos, que foi submetida a mandados de busca e apreensão da Polícia Federal.
BC aponta graves violações
Apesar das conexões das empresas com negócios que passaram pelo radar das autoridades, Trustee e Banvox tinham participação reduzida no Sistema Financeiro Nacional.
De acordo com o Banco Central, as duas instituições representavam, juntas, menos de 0,001% dos ativos do sistema financeiro brasileiro. Elas eram responsáveis, no entanto, pela administração de 0,76% dos recursos de terceiros.
A liquidação extrajudicial é um mecanismo utilizado pelo Banco Central para retirar uma instituição financeira do mercado e encerrar suas atividades diante de determinadas situações previstas na legislação, incluindo a constatação de irregularidades graves.
Segundo o BC, no caso da Trustee e da Banvox, a decisão desta quinta-feira decorreu da identificação de graves violações às normas legais que regulamentam o funcionamento das instituições.
Com a decretação da liquidação, os bens dos controladores e dos ex-administradores das duas empresas ficaram indisponíveis, conforme determina a legislação.
Master, Reag e Trustee acumulavam processos na CVM
Além das medidas adotadas pelo Banco Central, Trustee, Banco Master e Reag já estavam sob análise da Comissão de Valores Mobiliários.
Um levantamento interno da CVM, revelado pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, apontou que, até fevereiro deste ano, as três instituições eram alvo de 126 processos administrativos na autarquia.
Desse total, 47 processos envolviam o Banco Master, 77 estavam relacionados à Reag e dois à Trustee. O procedimento mais antigo havia sido aberto em 2017, enquanto parte significativa das apurações ainda permanecia sem conclusão.
Os processos analisam suspeitas de diferentes irregularidades, entre elas fraude e lavagem de dinheiro.
O Banco Central informou que as apurações relacionadas às instituições continuarão com o objetivo de identificar eventuais responsáveis pelas irregularidades constatadas. A depender das conclusões, poderão ser adotadas sanções administrativas e os fatos poderão ser comunicados às demais autoridades.







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