A CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) anunciou uma mudança histórica em seu comando. Depois de 24 anos na presidência da companhia, Benjamin Steinbruch deixa o posto executivo e passa a assumir a presidência do Conselho de Administração. Em seu lugar entra Fabio Schvartsman, executivo que já comandou empresas como Vale e Klabin.
A mudança foi informada pela companhia em fato relevante divulgado nesta quarta-feira (2). Schvartsman assume a presidência a partir desta quinta-feira (3), em uma troca de comando que ocorre justamente quando a CSN atravessa um processo de reorganização e busca reduzir seu elevado endividamento.
Steinbruch, porém, não deixará a estrutura de comando do grupo. Além de assumir a presidência do Conselho de Administração, ele continuará envolvido na definição das estratégias da empresa. O empresário ocupa uma cadeira no colegiado desde 1993.
Steinbruch deixa presidência após 24 anos
A história de Benjamin Steinbruch com a CSN antecede sua chegada à presidência. Em 1993, ele liderou o consórcio que participou da privatização da siderúrgica. Posteriormente, assumiu o comando da companhia.
Durante sua gestão, a CSN deixou de ter sua atuação concentrada apenas na produção de aço e ampliou os negócios para áreas como mineração, cimento, logística e energia.
“Como presidente do Conselho de Administração, seguirei inteiramente comprometido com a Companhia, apoiando a gestão e trabalhando na definição da estratégia que deverá orientar a perpetuidade do grupo”, afirmou Steinbruch no comunicado sobre a mudança.
Ao comentar a escolha de seu sucessor, Steinbruch destacou a experiência de Schvartsman. “Fabio reúne experiência industrial, visão financeira, capacidade de execução e profundo conhecimento das exigências de uma companhia de capital aberto”, declarou.
Dívida chega a R$ 42,13 bilhões
A troca na presidência acontece em um momento especialmente importante para as finanças da CSN. A companhia conduz um programa de venda de ativos com o objetivo de diminuir seu endividamento.
No segundo trimestre de 2026, a dívida líquida da empresa chegou a R$ 42,13 bilhões. Em janeiro, a companhia anunciou um plano de desinvestimentos que inclui a venda da unidade de cimento.
Em junho, a CSN também avançou na estratégia envolvendo uma participação relevante em ativos de infraestrutura. Entre os negócios citados estão terminais portuários, a participação na companhia ferroviária MRS e na empresa de logística Tora.
O desempenho das ações também representa um desafio para a nova administração. Listada na Bolsa, a CSN acumula desvalorização de 33,6% em 2026 e está avaliada em R$ 7,9 bilhões.
Quem é Fabio Schvartsman
Fabio Schvartsman chega à presidência da CSN com experiência no comando de grandes companhias brasileiras. Ele presidiu a Vale entre 2017 e 2019 e deixou o cargo após o rompimento da barragem em Brumadinho, tragédia que provocou 270 mortes.
Antes disso, Schvartsman comandou a Klabin durante seis anos, entre 2011 e 2017. O executivo também acumula passagens pela Duratex e pelo Grupo Ultra.
Ao assumir o novo desafio, Schvartsman afirmou que pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido por Steinbruch durante mais de duas décadas.
“Meu desafio será dar continuidade ao legado construído pelo Benjamin ao longo dos últimos 24 anos. Felizmente, terei ele e toda a equipe ao meu lado para elevar ainda mais a eficiência, fortalecer a disciplina na execução e transformar as oportunidades do Grupo em valor sustentável para acionistas, empregados, clientes, parceiros e comunidades”, declarou.
A relação de Steinbruch com grandes processos de privatização também passou pela antiga Companhia Vale do Rio Doce. Em 1997, quando já liderava a CSN, ele participou do consórcio que adquiriu o controle da mineradora por US$ 3,3 bilhões. A CSN deixou a estrutura de controle da companhia quatro anos depois, em 2001.
Agora, a chegada de Schvartsman inaugura uma nova fase na administração da CSN, mas sem um afastamento de Steinbruch das decisões estratégicas. O novo presidente terá pela frente uma companhia diversificada, mas pressionada pelo endividamento, pelo processo de desinvestimento e pela forte queda de seu valor de mercado em 2026.







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