O candidato do PL ao Governo do Estado e presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas, defendeu que o vencedor da eleição de 4 de outubro assuma o comando do Executivo estadual imediatamente após o resultado das urnas. Em entrevista ao PoderCast, podcast do Agenda do Poder apresentado pelo jornalista Ricardo Bruno, Ruas afirmou que o próximo governador estará legitimado pelo voto popular e não deveria aguardar a posse prevista no calendário regular.
“Quem vencer as eleições no dia 4 de outubro está legitimado pelo povo”, afirmou Ruas. O posicionamento foi apresentado durante uma discussão sobre o impasse envolvendo a possibilidade de realização de uma eleição suplementar no Rio.
Na entrevista, o candidato também detalhou propostas para segurança pública, educação e saúde, prometeu ampliar para pelo menos 200 o número de escolas estaduais com o modelo cívico-militar e falou sobre a possível participação de Michelle Bolsonaro em sua campanha. Ruas ainda classificou como “um tanto estranho” o cancelamento do debate da Record e antecipou medidas que pretende adotar caso seja eleito.
Ricardo Bruno: Você é do PL, o mesmo partido do ex-governador Cláudio Castro, e integrou o governo dele. Como garante ao eleitor que seu eventual governo terá características diferentes?
Douglas Ruas: Olha, Ricardo, eu sou um servidor público concursado. Entrei para a Polícia Civil há cerca de 12 anos. Depois fiz uma pós-graduação em gestão pública e, de lá para cá, servi em diferentes funções. Nunca escolhi chefe, eu sempre escolhi a missão. A minha missão foi levar investimento para os municípios do interior do Estado do Rio de Janeiro, os menos favorecidos financeiramente. E foi isso que eu fiz.
Alcançamos 73 municípios com investimentos em infraestrutura, como pontes, obras de drenagem, pavimentação, infraestrutura que chegou à porta da casa das pessoas, dando mais dignidade e melhorando a qualidade de vida. Foi isso que eu fiz e hoje estou me apresentando como candidato a governador.
Tenho um CPF próprio, tenho identidade própria e estou apresentando um plano de governo que promove inúmeras mudanças em diversas políticas públicas do estado, não apenas em relação ao último governo, mas a muitos outros governos que passaram nos últimos anos aqui no Estado do Rio de Janeiro.
Ricardo Bruno: Em relação ao governo Cláudio Castro, houve uma série de fatos que foram alvo de críticas e investigações. Um deles é a questão do investimento de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Banco Master. Como você vê esse caso?
Douglas Ruas: Olha, com muito repúdio, principalmente se tratando dos servidores públicos. Eu me incluo porque sou servidor do Estado do Rio de Janeiro. São pessoas que tomaram uma decisão de servir à população através de um concurso público e tiveram seus recursos da previdência aportados indevidamente.
Defendo que as investigações possam avançar. O ministro André Mendonça, que está conduzindo esse caso, está indo a fundo e eu tenho certeza de que não vai passar a mão na cabeça de ninguém. Espero que todos aqueles envolvidos possam ser punidos com o máximo rigor da lei e que também as investigações possam lograr êxito em restituir esses recursos que pertencem aos servidores do Estado do Rio de Janeiro.
Ricardo Bruno: No caso Refit, você acredita que também houve participação do Governo do Estado de alguma forma, favorecendo a empresa e não a tratando como uma sonegadora contumaz?
Douglas Ruas: Olha, Ricardo, é um outro caso que também está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal e que requer toda a atenção, porque nós estamos falando de algo que tira recursos de políticas públicas que tanto interessam à população do Estado do Rio de Janeiro.
São recursos que deixaram de entrar nos cofres do poder público. O quanto não poderia ter sido feito em favor da população por conta disso, com melhoria da segurança pública, da saúde e da educação?
Então, defendo também que todos aqueles que tenham qualquer envolvimento com essa questão sejam punidos com o máximo rigor da lei. E trago aqui também que, nesta semana, tivemos a oportunidade, na Alerj, de colocar em primeira discussão o projeto do devedor, para que, através do processo legislativo, a gente consiga impor amarras para que essas práticas não venham a se repetir no âmbito do Estado do Rio de Janeiro.
Ricardo Bruno: Quer dizer que você acha que tanto os responsáveis pelo caso dos investimentos do Rioprevidência no Master quanto os responsáveis por uma eventual vantagem concedida à Refit devem ser punidos, sejam eles quem forem?
Douglas Ruas: Com absoluta certeza, Ricardo. Eu tenho ido até além. Se for detentor de mandato eletivo, eu já defendo que a gente deveria ter um agravante na pena para esses indivíduos, porque o cara se coloca à disposição da população para trabalhar pelas pessoas, pede um voto de confiança, é eleito, assume o mandato para trabalhar pelas pessoas e utiliza o mandato para a prática de ilícito.
Deveria, sim, ter uma punição muito mais severa do que o cidadão comum. É isso que eu defendo para aqueles que utilizam o mandato eletivo para a prática de ilícitos.
Segurança pública e retomada de territórios
Ricardo Bruno: O senhor coloca a segurança pública no centro de sua campanha e usa sua experiência como policial como uma credencial. Mas o eleitor ouve há décadas promessas de redução da violência. O que diferencia sua proposta das anteriores e por que o eleitor deveria acreditar que, desta vez, haverá resultados?
Douglas Ruas: Olha, o primeiro passo é reconhecermos que nós vivemos hoje num estado de guerra aqui no Rio de Janeiro. Os números falam por si só. Não existe nenhum outro lugar do mundo onde a polícia apreendeu, no ano passado, 900 fuzis, armamento de guerra que é empunhado pelos criminosos nos territórios por onde transitam as famílias todos os dias. Para você ter ideia, o segundo lugar do Brasil foi o Estado da Bahia, com 112 fuzis apreendidos.
Então nós temos aqui um cenário de guerra. Agora, nós temos uma política de segurança pública que foi instituída em 2009, com a criação do Sistema Integrado de Metas, que vem impedindo que o policial possa cumprir a sua missão de combater o crime organizado.
De lá para cá, entrou governador, saiu governador. Nenhum deles teve a coragem de reconhecer que estamos seguindo num caminho que não entrega os resultados esperados.
Nós observamos hoje que os gestores da segurança pública trabalham com essas diretrizes analisando quatro indicadores: roubo de veículo, roubo de carga, roubo a transeunte e letalidade violenta. E aqui começa o problema, porque o Estado do Rio de Janeiro classifica da mesma maneira o homicídio doloso praticado por um criminoso e a legítima defesa do policial para defender a sua vida ou a vida de outrem.
É como se nós fôssemos punir o bombeiro por apagar o incêndio. É exatamente isso que acontece aqui no Rio de Janeiro.
Se nós temos um ranking que avalia o desempenho do profissional, todo mundo quer ficar bem posicionado. Então, os gestores da segurança pública, comandantes de batalhão e delegados, vão acompanhando o ranking e, muitas vezes, mesmo sabendo da presença de criminosos num determinado local, puxa-se o freio de mão para não fazer operações, porque haverá confronto.
Se acontecer o confronto e um criminoso for a óbito, eles perdem ponto no ranking de metas da segurança pública.
Ricardo Bruno: Que mudança o senhor propõe?
Douglas Ruas: Eu vou fazer uma correção. A gente tem que chamar isso, Ricardo, de correção, porque o Estado do Rio de Janeiro resolveu punir administrativamente aquilo que a legislação penal não pune.
Letalidade violenta vai estar classificada como os crimes praticados pelos criminosos. Porque a legítima defesa do policial não é crime, então não tem que ser enxergada como letalidade violenta.
Além disso, nós vamos criar um outro indicador, e esse será o principal na avaliação de desempenho dos gestores da segurança pública: a retomada dos territórios.
Nós já temos, através do Instituto de Segurança Pública, o mapeamento de todas as comunidades que estão sob domínio de alguma facção criminosa. E o objetivo vai ser claro: garantir que as pessoas que moram nessas comunidades tenham restabelecidos o seu direito de ir e vir e a sua liberdade econômica.
Hoje a gente sabe que essas facções criminosas não exploram apenas a venda dos entorpecentes. Elas exploram a economia do local como um todo. É o sinal de internet, o sinal de TV a cabo, os comércios que funcionam dentro dessas comunidades.
Eu sou policial civil e posso te dizer: são inquéritos que a gente pode inaugurar de manhã e, ao fim do dia, já ter um indiciamento. Vamos encerrar a atividade dessas empresas, trazer os sócios para prestar depoimento, indiciá-los e dar prosseguimento à persecução penal.
Aliado a isso, nós vamos trazer muita tecnologia. Sabemos que todos esses fuzis apreendidos aqui não são fabricados no território nacional. Eles entram com facilidade, e está escrito na Constituição Federal que compete à União o controle das fronteiras, portos e aeroportos.
Nós estamos apresentando também a proposta do Escudo Fluminense. Vamos utilizar tecnologia para impedir que essas armas e entorpecentes cheguem ao nosso território. Não vamos mais ficar de braços cruzados aguardando a União. Vamos instalar scanners em pontos estratégicos para verificar a carga de caminhões, carretas e veículos que chegam ao Estado do Rio de Janeiro.
Ricardo Bruno: O senhor também tem dito que vai colocar ladrões de celular na cadeia. A polícia prende, mas há casos em que a Justiça solta. Do ponto de vista prático, como pretende mudar essa realidade?
Douglas Ruas: Olha, Ricardo, tem muitas coisas. O estado não tem autonomia pela legislação penal, infelizmente. Então, nós dependemos também de uma mudança significativa do Congresso Nacional, coordenada, obviamente, pela Presidência da República.
A minha crítica é a seguinte: o Lula diz que o ladrão rouba o celular para tomar uma cervejinha. Então, o exemplo vem de cima.
O que eu quero é uma ação enérgica contra esses ladrões e também contra os receptadores, porque eles estão roubando o celular porque tem alguém comprando esse produto roubado.
Precisamos identificar e prender esses receptadores, que são tão criminosos quanto aquele que comete o delito do roubo e que impacta tanto a atividade comercial. Então nós vamos combater com muita eficácia esses roubos aqui no Estado do Rio de Janeiro.
Posse imediata após as eleições
Ricardo Bruno: O Supremo Tribunal Federal ainda não julgou a questão das eleições suplementares do Rio. O julgamento foi adiado e não há previsão de nova data. Como você vê essa situação, considerando a proximidade das eleições de outubro?
Douglas Ruas: Olha, desde o início desse imbróglio jurídico-institucional aqui no Rio, sempre me manifestei a favor das eleições diretas, porque entendo que o exercício pleno da democracia é quando o cidadão sai de casa e vai até as urnas para escolher o seu governante.
Lamentavelmente, isso não aconteceu nos últimos meses e, como agora a gente já está a pouco mais de 30 dias das eleições diretas, eleições ordinárias que já estavam previstas no nosso calendário eleitoral, eu defendo que quem vença as eleições no dia 4 de outubro possa assumir o governo. Já pode assumir. Assumir o governo imediatamente.
Quem vencer as eleições no dia 4 de outubro está legitimado pelo povo. Só existe uma maneira de assumir o Poder Executivo no nosso Brasil de acordo com o Estado Democrático. Quem legitima é o povo. Quem tem o poder para colocar quem quer que seja à frente de um governo é a população do Estado do Rio de Janeiro, que vai sair às urnas no dia 4 de outubro para fazer a sua escolha.
Ricardo Bruno: Retomando a segurança pública: qual é hoje, na sua avaliação, o déficit de policiais militares?
Douglas Ruas: Hoje, 16 mil. A lei preconiza o efetivo de 60 mil. Nós temos 44 mil.
Então nós precisamos — e eu já me comprometi —, logo no primeiro mês de governo, convocar todos os excedentes aprovados nos concursos para todas as forças de segurança do Estado do Rio de Janeiro e estabelecer um cronograma para a realização de novos concursos.
Precisamos cumprir esse efetivo que já está previsto em lei, sabendo da importância de aumentar o nosso efetivo policial para entregar a tão sonhada e esperada sensação de segurança para todos os nossos cidadãos.
Ricardo Bruno: Como o senhor avalia a gestão do governador em exercício Ricardo Couto, especialmente as medidas de redução da máquina pública?
Douglas Ruas: Olha, todas as medidas que possam promover o enxugamento da máquina, cortando gastos desnecessários, são sempre muito bem-vindas e têm meu total apoio.
O nosso plano de governo prevê um enxugamento muito maior. Ainda tem muita coisa a ser cortada na máquina pública, com o objetivo sempre de abrir mais espaço no orçamento para ampliar os investimentos e garantir a qualidade dos serviços públicos para o cidadão.
Em relação a eventuais cargos fantasmas que possam ter sido identificados, eu defendo que sejam punidos não apenas aqueles que ocupavam os cargos, mas também quem nomeou, porque está enquadrado numa conduta criminal quem nomeia e quem foi nomeado para ficar como fantasma.
Está recebendo dinheiro público sem entregar a função para a qual estaria sendo contratado. Então, defendo que devam ser punidos todos aqueles que tenham qualquer participação nessas contratações.
Ricardo Bruno: Ricardo Couto tem defendido uma gestão técnica e com menor interferência política. O senhor concorda ou considera que uma administração também deve contemplar a participação de políticos, de maneira republicana?
Douglas Ruas: A gestão tem que ser sempre técnica, sempre buscando o melhor serviço público para a população do Estado do Rio de Janeiro.
Eu tenho um grande exemplo, Ricardo, porque estive como deputado estadual, me relacionei com o Poder Executivo sempre de maneira republicana, buscando os investimentos. Estive no Poder Executivo e me relacionei com o Poder Legislativo, ouvindo as demandas, mas sempre colocando o cidadão do Estado do Rio de Janeiro em primeiro lugar.
Pode-se ver agora o atual cenário. Nós temos uma relação muito respeitosa com o desembargador Ricardo Couto, governador em exercício, que resultou inclusive em aprovações de medidas importantes na Assembleia Legislativa, sem qualquer toma lá dá cá, sem qualquer troca política. Sempre de maneira respeitosa, visando ao interesse da população.
É dessa maneira que eu pretendo governar e é dessa maneira que a gente vai fazer nos próximos quatro anos.
Educação, campanha e saúde
Ricardo Bruno: O Rio de Janeiro aparece em posição ruim no Ideb. Como pretende melhorar os resultados da educação estadual?
Douglas Ruas: Hoje é uma situação vergonhosa. Ao mesmo tempo em que nós temos a segunda maior economia do país, nós temos a segunda pior educação. E não falta dinheiro na educação, falta gestão.
No nosso plano de governo, analisamos toda essa rede pública estadual, que conta com pouco mais de 1,2 mil unidades escolares. Encontramos já dentro dessa própria rede um achado de boas práticas, que são as escolas cívico-militares.
Nós temos 17 no estado. E, quando a gente olha o resultado dessas unidades no Ideb, elas estão com uma nota entre 5,2 e 5,8. Ou seja, escolas militares têm um desempenho, um resultado bem melhor.
Para você ter ideia da relevância desse resultado, o primeiro lugar do Brasil é o Estado do Paraná, nota 5,1. O que eu estou te dizendo? Se nós concorrêssemos apenas com as escolas cívico-militares, nós seríamos primeiro lugar do Brasil.
Então, já temos um exemplo dentro da própria rede que precisa ser expandido. E, antes que uma turma dos críticos venha falar desse modelo de ensino, eu já adianto aqui que o objetivo não é militarizar as crianças e doutrinar como militar. Nada disso.
Os militares não substituem os profissionais da educação em nada. São militares da reserva que atuam para criar um ambiente escolar organizado, com disciplina e respeito para com o professor. Com isso, as aulas têm fluidez, o professor consegue passar o conteúdo com qualidade e o resultado já está comprovado na nota do Ideb.
A minha proposta é apresentar para a comunidade escolar as unidades onde a gente vai implementar, para que conheçam esse modelo de ensino. Pretendo franquear visitas às unidades já existentes para pais, alunos e profissionais da educação conhecerem, com muito diálogo, e depois implantar esse modelo em pelo menos 200 escolas.
Além da disciplina, eu também quero trazer a qualificação profissional já para o primeiro ano do ensino médio. Tenho defendido a expansão do ensino técnico. Inclusive através do Propag há recursos para isso.
Nós vamos levar a Faetec para dentro das escolas. Quero antecipar esse debate, trazer a qualificação profissional para o primeiro ano do ensino médio, pegar na mão dos nossos jovens e mostrar a eles que existe um caminho de prosperidade na vida deles.
A ideia é clara: conectar a educação ao mercado de trabalho.
Ricardo Bruno: Sua campanha está muito ligada à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Esse alinhamento pode determinar o sucesso da sua candidatura?
Douglas Ruas: Olha, o sucesso da minha campanha está preso ao plano de comunicação que nós estamos fazendo de apresentar a trajetória de vida, a trajetória de trabalho do Douglas Ruas e as nossas propostas para o futuro do Estado do Rio de Janeiro.
Nós estamos diante de uma eleição geral em que o eleitor vai às urnas para escolher deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República.
Eu tenho um lado na política e não tenho duas conversas. O meu lado é o lado do Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República.
E trago sempre no debate também essa preocupação com a questão nacional, que é de interesse de toda a população, não só do Rio de Janeiro, mas do Brasil.
O que nós vemos acontecer hoje no Brasil é uma economia que está ficando em frangalhos. Muitos já falam até que o ex-ministro Haddad é o melhor ministro da história do Paraguai, porque conseguiu tirar muitas empresas aqui do Brasil que foram para o Paraguai por conta dos caminhos da economia nos últimos quatro anos sob o governo do PT.
Hoje nós temos mais de 80% das famílias brasileiras endividadas e o nosso empresário, nosso empreendedor aqui do Estado do Rio de Janeiro está sofrendo esse reflexo na ponta.
Tenho percorrido todo o estado e a gente escuta relatos de pessoas decepcionadas, prestes a fechar o seu negócio ou pessoas que já fecharam porque o poder de compra do brasileiro foi reduzido. Então a mudança que o nosso país pode ter na economia vem pelo Flávio Bolsonaro. E é isso que eu tenho defendido.
Ricardo Bruno: É correto dizer que Flávio tem peso preponderante na sua campanha? E fala-se também que Michelle Bolsonaro poderá gravar um vídeo de apoio. Isso procede? Qual é sua expectativa em relação à participação dela?
Douglas Ruas: A Michelle é um entusiasmo muito grande para a gente receber o apoio dela. Uma mulher guerreira, que percorreu todo esse país nos últimos anos, levantando outras mulheres para se engajarem, participarem da política.
É uma líder nata e tem um papel muito importante no nosso partido. Poder contar com o apoio dela, com a sinalização dela, é muito importante.
Ela tem uma pauta muito importante da inclusão também. Ela tem uma relação com a nossa candidata a vice, que é a Fernanda Louback, uma mulher guerreira, mãe de duas meninas autistas, uma empreendedora que sofreu na pele o descaso de uma gestão do poder público e teve a sua vida impactada.
Ela transformou a sua dor em luta, não só para ela e para a família dela, mas para toda a população. Então, já existe essa sinergia da Fernanda com a Michelle, muito por conta da inclusão e da política pública para as mulheres.
Ricardo Bruno: Vamos falar de saúde pública. Qual é a principal proposta do seu programa para o setor?
Douglas Ruas: A palavra de ordem na saúde, no meu governo, é proximidade. Eu quero levar a saúde para perto da casa das pessoas.
Para isso, nós vamos construir os centros integrados de saúde em cada região do nosso estado. Em um único equipamento, o cidadão vai poder encontrar consulta com especialistas, exames e até mesmo pequenas cirurgias.
Sabemos também que precisamos encarar de uma vez o problema das filas. E o primeiro passo é reconhecer que a rede pública não dá conta de atender toda a demanda da população.
Aí nós damos um passo além, como outros estados já fizeram. Não é nada de inovador comprar serviços na rede privada para entregar aquilo que tem de melhor para o nosso povo e tirar de uma vez por todas essa espera da fila.
A lógica do nosso governo para a saúde é simples: menos fila, menos peregrinação, exame rápido e tratamento no tempo certo.
Ricardo Bruno: Eduardo Paes tem direcionado críticas à sua candidatura nos últimos dias, mas o senhor mantém uma campanha mais voltada às propostas e não tem revidado. Vai continuar assim ou pretende responder diretamente ao adversário?
Douglas Ruas: Essa é uma prática da velha política. O meu adversário está na política há mais de 30 anos. Eu era criança, jogava bola numa rua toda esburacada lá em São Gonçalo e ele já estava na política.
Essa é a prática deles. Eu penso diferente. A minha campanha tem um objetivo claro de se comunicar direto com a população do Estado do Rio de Janeiro, apresentar a minha trajetória de vida, de trabalho e as nossas propostas que constam no nosso plano de governo.
Eu não estou aqui para ficar trocando acusações com um, com outro. O meu adversário não tem nada para falar de mim, por isso ele tenta me associar a outras pessoas.
Eu sigo adiante conversando com a população do Estado do Rio de Janeiro, que deve ser a maior interessada nessa eleição de outubro, que vai definir o futuro do nosso estado e do nosso Brasil.
Ricardo Bruno: O senhor fala muito de seu pai, Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo, reeleito com 84% dos votos. Seus adversários, porém, apontam problemas que ainda existem na cidade. Como responde a essas críticas?
Douglas Ruas: Olha, as melhores pessoas para retratar a realidade de São Gonçalo são as pessoas que moram lá. E foram essas pessoas que saíram de casa e foram às urnas em 2024 para fazer o Capitão Nelson o prefeito mais votado do Brasil nas cidades acima de 500 mil habitantes.
Eu tenho muito orgulho de ter participado no início desse processo. Fiquei responsável por fazer todo o planejamento da retomada de uma cidade cheia de problemas, onde o povo já havia perdido as esperanças de que pudesse ver uma gestão verdadeiramente comprometida com a população.
Iniciou-se lá um processo de transformação que promoveu uma significativa melhora nos serviços públicos das diversas áreas, e a gente sabe que ainda tem muito por fazer.
Esse processo está em curso e a população que reside em São Gonçalo reconhece que hoje tem um prefeito verdadeiramente comprometido com eles e que trabalha com muito esforço, com muita dignidade, com poucos recursos, para entregar o melhor para a população.
Ricardo Bruno: O senhor vem crescendo nas pesquisas de opinião. A que atribui esse avanço e qual é sua expectativa para a reta final da campanha?
Douglas Ruas: Olha, mais de 70% da população não conhecia o Douglas Ruas. Afinal de contas, diferente do meu adversário, eu não estou na política há 30 anos.
Então, o desconhecimento e o interesse da população pela eleição chegam agora, no início da campanha eleitoral. A gente não esperava nenhum crescimento antes desse período.
A população estava, há pouco tempo, preocupada com a Copa do Mundo, com como seria o desempenho da nossa seleção. Então a atenção estava voltada para lá.
Com o início da campanha eleitoral, a população agora começa a enxergar e a participar, a pesquisar sobre esse processo eleitoral.
E a gente está buscando, através de todas essas oportunidades, como essa que estou tendo aqui hoje no podcast do Agenda do Poder, falar da trajetória de vida, de trabalho do Douglas e das nossas propostas.
Conforme as pessoas vão conhecendo, vão ter a oportunidade de fazer a sua escolha no dia 4 de outubro sobre o que entendem ser melhor para o futuro do nosso estado.
Ricardo Bruno: Esta campanha tem tido poucos debates. Como o senhor avalia essa escassez de espaços para o confronto público de propostas entre os candidatos e, particularmente, o cancelamento do debate da Record?
Douglas Ruas: Ricardo, eu não fujo de debate, de qualquer conversa, de diálogo. Hoje eu tive uma reunião com a Associação dos Bares e Restaurantes, um importante setor da economia do nosso Estado do Rio de Janeiro. Nós temos uma vocação natural para esse setor. Então, estou sempre aberto ao diálogo com todos.
Eu acho que o debate faz parte da democracia. É um espaço democrático aberto pelos veículos de comunicação para que os candidatos possam se apresentar e que o eleitor possa conhecê-los para fazer a sua escolha no dia 4 de outubro.
Lamentavelmente, alguns candidatos não querem ser confrontados ou talvez não tenham propostas para apresentar à população. Nada de novo. Os meus adversários estão aí há mais de 30 anos, talvez eles não tenham nada para apresentar. Por isso têm preferido não participar dos debates.
Lamentamos muito a Record, uma grande emissora, que tem um histórico na realização dos debates, ter desmarcado o debate. Espero que não esteja atendendo ao interesse de qualquer candidato que esteja participando do pleito aqui.
Não quero ser leviano para fazer uma afirmação sem ter esse conhecimento, mas é um tanto estranho, né? Uma emissora do porte da Record cancelar um debate.
Ricardo Bruno: Se o senhor for eleito, quais serão as três ou quatro medidas imediatas que pretende tomar assim que assumir o Governo do Estado?
Douglas Ruas: Eu já deixei bem claro que a nossa prioridade é a segurança pública. Nós temos um plano de governo dividido em quatro eixos e o eixo principal, que sustenta todas as demais políticas públicas, é o eixo Rio Seguro.
Entendendo que, sem segurança pública, a criança não chega à escola, a mulher não consegue ir até o posto de saúde e o Estado do Rio de Janeiro não se desenvolve economicamente.
Então essa será a nossa prioridade: colocar mais policiais, fazer alteração na diretriz da política de segurança pública, garantir ao policial que ele possa cumprir a sua missão, que é servir e proteger a população de bem.
Já deixei bem claro aqui também que nós seremos muito enérgicos nos cortes de gastos para que a gente possa ampliar o investimento do estado.
Por exemplo, não vai ter no meu governo recurso para camarote na Sapucaí. Autoridades, inclusive ministros de Brasília, que estão acostumados a vir e se esbaldarem nos camarotes públicos, pagos com dinheiro da população, no meu governo não vão ter.
Então já deixo o aviso aqui para quem estiver contando com camarote do Governo do Estado na Sapucaí: prepare-se para comprar o seu ingresso, porque, com Douglas Ruas, o dinheiro dos pagadores de impostos vai ser revertido em serviço público de qualidade para a população.







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