Depois de mais de um ano de conflitos no comando da Azzas 2154, Alexandre Birman e Roberto Jatahy chegaram a um acordo para reorganizar o grupo de moda. A companhia será dividida em duas empresas independentes, Arezzo&Co e Soma, cada uma com estrutura própria e ações negociadas separadamente na Bolsa.
O acordo também prevê uma estrutura societária específica para a Farm Rio, uma das principais marcas do grupo e considerada um dos seus maiores motores de vendas e resultados. A nova empresa terá participação das duas companhias resultantes da divisão.
A reorganização ainda precisa passar por aprovações regulatórias e pelo cumprimento de exigências legais. A expectativa é que todo o processo seja concluído no primeiro trimestre de 2027. Até lá, a Azzas 2154 continuará operando normalmente.
Quais marcas ficarão com cada empresa
A Arezzo&Co ficará responsável pelo conjunto de marcas de bolsas e calçados, além do ZZ Mall e da Hering. Entre os nomes que estarão sob o comando de Alexandre Birman estão Arezzo, Carol Bassi, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Vans, Vicenza, Paris Texas e Brizza.
A empresa também incorporará a Hering e suas extensões, como Hering Sports, Hering Intimates e Hering Kids. A nova configuração busca dar maior autonomia administrativa e estratégica ao grupo liderado por Birman.
Já a Soma ficará concentrada no segmento de vestuário feminino e masculino premium. O portfólio incluirá Animale, Cris Barros, Maria Filó, NV, Reserva, Oficina, Foxton e Off Premium, além das extensões da Reserva, como Reserva Mini, Reserva Ink e Reserva Go.
Farm Rio terá sociedade entre as duas empresas
Apesar da divisão, a Farm Rio não ficará exclusivamente com Arezzo&Co ou Soma. A marca será colocada em uma sociedade específica, da qual as duas companhias serão acionistas.
Pelo acordo, a Arezzo&Co terá 57,4% da nova operação, enquanto a Soma ficará com os 42,6% restantes. A estrutura permitirá que os dois grupos continuem participando do desenvolvimento da marca, que possui forte presença no Brasil e no mercado internacional.
A separação da Farm Rio teria sido solicitada diretamente por seus fundadores, Katia e Marcello Bastos, segundo uma pessoa familiarizada com as negociações. A marca é considerada estratégica para o futuro do grupo devido ao seu potencial de expansão.
Como será a divisão acionária
A reorganização ocorrerá em duas etapas. Primeiro, haverá a separação das marcas entre Arezzo&Co e Soma. Em seguida, será realizada uma troca de ações entre os acionistas das duas companhias.
Na Soma, Roberto Jatahy e seus sócios ficarão com 25,95% das ações, enquanto o bloco ligado à família Birman terá 6,18%. Na Arezzo&Co, a família fundadora ficará com 32,13%, enquanto Jatahy deixará a estrutura acionária da empresa.
Os outros 67,87% de cada companhia ficarão distribuídos entre os demais acionistas e investidores. Cada acionista da atual Azzas 2154 receberá ações das duas novas empresas de forma proporcional à participação que possui atualmente. A operação depende ainda de aval do Cade e da B3.
Fusão de 2024 terminou em nova reorganização
A Azzas 2154 surgiu da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, anunciada em fevereiro de 2024 e concluída em agosto daquele ano. Na época, a Arezzo ficou com 54% do novo negócio, enquanto o Soma deteve 46%.
A companhia chegou a ser avaliada em cerca de R$ 10 bilhões quando a fusão foi concluída, reunindo 34 marcas. Porém, divergências sobre governança, estrutura societária e estratégias de negócios aumentaram ao longo do tempo.
As ações da Azzas 2154 chegaram a ser suspensas para negociação na manhã do anúncio do acordo. Depois, os papéis registraram alta de 13,8%, a R$ 17,15. Apesar da reação positiva no dia, a companhia acumulava queda de 32,45% no ano e estava avaliada em R$ 3,54 bilhões na Bolsa.
Conflitos chegaram à Justiça e à arbitragem
A crise entre os principais acionistas ganhou força em abril, após a saída de Ruy Kameyama do cargo de CEO de Moda e Lifestyle. Ele era considerado um interlocutor entre Birman e Jatahy.
Depois da saída de Kameyama, Jatahy recorreu à Justiça sob a avaliação de que Birman estaria interferindo em áreas que estavam sob sua gestão. As divergências também chegaram a procedimentos de arbitragem.
Com o novo acordo, os dois acionistas se comprometeram a encerrar as disputas legais e a extinguir o procedimento arbitral e a medida cautelar em andamento. A companhia afirma que a reorganização pretende ampliar o foco, a autonomia administrativa e a responsabilidade de cada negócio.







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