STF discute triagem de material sobre Vorcaro em meio a citações a ministros da Corte

Presidente do Supremo, Edson Fachin, debate com integrantes do tribunal formas de analisar episódios envolvendo magistrados e o ex-banqueiro

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Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) discutem uma estratégia para analisar o conjunto de informações que relaciona integrantes da Corte ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo informa a colunista do Globo Bela Megale, o tema foi tratado em reunião na semana passada com o presidente do tribunal, Edson Fachin, em meio ao aumento da pressão sobre o Supremo provocado pela divulgação de mensagens e outros registros obtidos nas investigações.

A proposta em discussão prevê uma espécie de “triagem” do material, separando eventuais questões de natureza administrativa e funcional daquelas que, em tese, poderiam ter repercussão penal. A medida também permitiria avaliar individualmente os diferentes episódios revelados até agora, que envolvem ministros ou familiares de integrantes do STF.

O debate ocorre em um momento de tensão interna na Corte. Na semana passada, o STF iniciou o julgamento sobre o tratamento de investigações relacionadas às mensagens de Vorcaro, mas a análise foi interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Vídeo amplia repercussão do caso Moraes

A discussão ganhou novo impulso após a divulgação de um vídeo que mostra Alexandre de Moraes e a esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando de um jato ligado a Vorcaro, em agosto de 2025. O escritório de Viviane afirmou que contratou serviços de táxi aéreo e sustentou que Vorcaro não esteve presente nos voos.

Mensagens e documentos analisados pela Polícia Federal também registram contatos entre Moraes e Vorcaro. O ministro nega ter praticado irregularidades e afirma que não julgou causas relacionadas ao ex-banqueiro ou ao Banco Master.

Integrantes do Supremo próximos a Moraes defendem que uma eventual análise de condutas não fique restrita ao ministro e alcance todos os magistrados mencionados no material apreendido.

Mensagens também citam familiares de ministros

Entre os episódios está a menção a Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. Conversas extraídas do celular de Vorcaro associam o nome do advogado à indicação de R$ 500 mil mensais. Kevin afirma que nunca prestou serviços ao Banco Master nem recebeu dinheiro de Vorcaro. Segundo sua assessoria, ele recebeu R$ 281,6 mil por serviços jurídicos prestados à Consult Inteligência Tributária.

Reportagem do Metrópoles também revelou mensagens segundo as quais Vorcaro teria custeado, durante o Carnaval de 2025, uma mansão no Rio de Janeiro destinada a um ministro identificado nas conversas como “KN”. O imóvel, no Joá, havia sido anunciado por R$ 250 milhões. As mensagens, isoladamente, não comprovam a identidade do ministro citado.

O material apreendido ainda registra contatos de Vorcaro com Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux. O escritório Fux Advogados afirmou que nunca prestou serviços nem recebeu valores de Vorcaro, do Master ou de empresas relacionadas ao grupo.

Gilmar, Toffoli e Mendonça também aparecem em episódios

Outro caso envolve Gilmar Mendes. Vorcaro esteve com o ministro no STF, em abril de 2024, para tratar de uma disputa bilionária do setor sucroalcooleiro. Posteriormente, Gilmar votou contra a posição que interessava ao Banco Master no processo analisado pela Segunda Turma. O gabinete afirmou que a audiência ocorreu em ambiente institucional e com a presença de advogados.

Dias Toffoli também aparece entre os ministros que tiveram relações ou encontros associados ao grupo de Vorcaro. Reportagens anteriores apontaram ainda negócios envolvendo familiares do magistrado e um resort no Paraná.

As mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro também fazem referências a André Mendonça e ao instituto fundado pelo ministro antes de sua chegada ao STF. O conjunto inclui registros sobre encontros e contatos intermediados por terceiros.

A discussão interna agora é sobre como tratar os diferentes episódios sob critérios uniformes, distinguindo relações pessoais ou profissionais de fatos que possam justificar apuração formal. A triagem defendida por integrantes da Corte teria justamente a função de organizar esse material e definir quais situações exigem providências adicionais.

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