STF e PF temem que suspeição de Gonet abra caminho para anular provas do caso Master

Conselho Superior do MPF analisa situação do procurador-geral na sexta-feira; preocupação é que eventual questionamento sobre sua atuação seja usado por investigados para contestar a apuração

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Uma eventual declaração de suspeição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nas investigações envolvendo o Banco Master preocupa integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Polícia Federal (PF), informa a CNN Brasil. A avaliação é de que um questionamento formal sobre a atuação do chefe do Ministério Público poderia abrir espaço para pedidos de anulação de provas e decisões produzidas ao longo da apuração.

O temor é compartilhado por diferentes grupos no Supremo e na PF. Na avaliação desses interlocutores, uma decisão desfavorável a Gonet poderia ser explorada pelas defesas dos investigados para tentar invalidar partes da investigação, dificultando seu avanço e eventualmente beneficiando o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A discussão deve ganhar um novo capítulo na sexta-feira (25), quando o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) realizará uma sessão extraordinária para analisar menções a Gonet encontradas em mensagens atribuídas a Vorcaro. O colegiado avaliará se existem elementos capazes de comprometer a imparcialidade do procurador-geral na condução dos casos relacionados ao Master.

A tendência, segundo apurações divulgadas até agora, é que o Conselho não declare Gonet parcial e permita que ele continue atuando nas investigações.

Foto com Vorcaro aumentou pressão sobre Gonet

O procedimento no Conselho foi aberto no início de setembro após uma representação de parlamentares do Novo. A pressão sobre Gonet aumentou depois da divulgação de uma fotografia encontrada no celular de Vorcaro.

A imagem mostra o procurador-geral ao lado do então banqueiro durante um evento em Londres, em abril de 2024. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da fotografia e informou que a ocasião contou com a presença de diversas autoridades.

Gonet nega ter mantido relação de proximidade ou amizade com Vorcaro. Em sua manifestação ao Conselho, declarou que não possui interesse pessoal nos processos e afirmou estar “juridicamente plenamente apto” para continuar atuando nos procedimentos relacionados ao Banco Master.

O procurador-geral sustenta que seu único encontro presencial com Vorcaro ocorreu justamente no evento em Londres e classificou o contato como “brevíssimo e banal”.

O material encontrado pela PF também contém mensagens em que Vorcaro menciona Gonet. Em uma delas, o ex-banqueiro pergunta a Alexandre de Moraes sobre a possibilidade de reverter investigações relacionadas ao Master junto a “Paulo e Andrei”. Os investigadores identificaram os nomes como referências a Gonet e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Investigação do Master sofre atrasos

A expectativa inicial era que a Polícia Federal concluísse em setembro o relatório da investigação sobre o Banco Master. A crise envolvendo integrantes do STF, porém, somada ao adiamento de depoimentos, atrasou o cronograma da apuração.

O risco de questionamentos futuros sobre a validade das provas também passou a preocupar integrantes do grupo do ministro André Mendonça, relator das investigações do Master no Supremo.

Outro episódio que levantou dúvidas sobre possíveis pedidos de nulidade foi a decisão de Mendonça de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. A medida acabou revertida pelo presidente do STF, Edson Fachin.

Nesse cenário, integrantes das instituições envolvidas avaliam que novas controvérsias processuais poderiam ampliar as possibilidades de questionamento pelas defesas dos investigados.

Conselho decide situação na sexta-feira

O Conselho Superior do MPF analisará se as referências encontradas no material da Polícia Federal justificam a abertura de procedimento contra Gonet. O relator é o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino. Como o caso envolve o próprio procurador-geral, o vice-presidente do colegiado, Nicolao Dino de Castro, assume a condução da questão.

Apesar do desconforto provocado pelas revelações, a expectativa predominante antes da sessão é de uma decisão favorável a Gonet. Pessoas próximas ao procurador-geral também acreditam que o procedimento será arquivado.

Caso esse cenário se confirme, Gonet poderá permanecer à frente dos casos relacionados ao Banco Master. Uma decisão em sentido contrário, por outro lado, poderá alimentar uma nova disputa jurídica sobre os atos praticados durante a investigação, justamente o cenário que provoca preocupação entre integrantes do STF e da Polícia Federal.

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