Eduardo Bolsonaro exibe Dark Horse nos EUA, ignora financiamento do filme e diz que Vorcaro ‘contratou Moraes’

Filme foi apresentado em conferência em Las Vegas; filho de Jair Bolsonaro participou por vídeo, falou das apurações sobre a produção e criticou ministro do STF

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

Ainda sem data definida para estrear, o filme “Dark horse” teve sua segunda exibição pública nos Estados Unidos no último dia 11, durante o Storm Summit, conferência realizada em Las Vegas, informa o jornal O Globo. A produção está no centro de investigações que apuram a origem e o destino de recursos repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) participou por videoconferência de uma sessão de perguntas e respostas sobre o longa. Ele mencionou as investigações relacionadas ao financiamento da produção, mas não citou, nesse momento, os repasses que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro fez ao filme. Em outro trecho de sua participação, porém, usou as relações do banqueiro para fazer críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O Storm Summit foi realizado entre os dias 10 e 13 de setembro em um hotel de Las Vegas, com discussões centradas no tema “integridade eleitoral”. Em junho, uma primeira exibição da cinebiografia havia ocorrido no mesmo endereço durante outra edição do encontro, então chamada de Fraud Fighter Summit.

Eduardo comenta investigação sobre o filme

De sua residência no Texas, Eduardo respondeu a perguntas sobre “Dark horse” e as eleições brasileiras. O diretor do filme, Cyrus Nowrasteh, participou presencialmente.

“Já faz, sei lá, quatro meses que falam em “Dark horse”. Tentam encontrar alguma coisa, dizem isso e aquilo. E, no fim das contas, não conseguem provar nada. Absolutamente nada. Por isso estão desesperados, já que faltam duas semanas para o primeiro turno das eleições”, disse o ex-parlamentar, após Nowrasteh afirmar que “estão tentando usar um filme que ninguém no Brasil viu” contra Flávio Bolsonaro.

Segundo informações atribuídas às investigações da Polícia Federal, a produção recebeu ao menos US$ 12,3 milhões de Daniel Vorcaro. Os recursos teriam sido encaminhados ao fundo Havengate, sediado no Texas e administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro.

Uma das linhas investigadas é se parte dos recursos teria sido utilizada para financiar a permanência de Eduardo nos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro sustenta que o dinheiro empregado na produção do filme era privado.

Críticas a Moraes e menções a Vorcaro

Pouco antes de falar sobre “Dark horse”, Eduardo Bolsonaro criticou Alexandre de Moraes ao abordar as relações do ministro e de sua família com Daniel Vorcaro. O ex-deputado não citou nominalmente Moraes nesse momento.

“A esposa dele é advogada. E ela tem um cliente que é banqueiro. Mas, na verdade, o banqueiro não estava contratando a esposa: ele contratou o juiz (Moraes). O juiz estava atuando plenamente na defesa dele. Sabe, fazendo todas aquelas coisas ilegais”, disse Eduardo Bolsonaro, referindo-se ao contrato de R$ 131 milhões assinado entre o escritório Barci de Moraes e o Master.

“Ele (Moraes) estava editando um contrato de cerca de US$ 30 milhões da mulher.”

As afirmações de Eduardo representam sua versão sobre o episódio. O contrato do escritório Barci de Moraes com o Banco Master tornou-se um dos elementos de repercussão política do caso envolvendo a instituição financeira.

Eduardo também afirmou que Vorcaro promovia festas “com moças da Rússia e da Ucrânia” frequentadas por “autoridades do Congresso Nacional e da Suprema Corte”. Em seguida, associou o caso ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Há milhões de dólares circulando de bolso em bolso, e o presidente Lula está ligado a essa gente. Eles fazem parte do mesmo regime”, afirma o ex-deputado, que também critica o petista por proximidade com a China.

Ao mencionar outros episódios, acrescentou:

“O filho do presidente, o principal ministro do presidente. É uma confusão total.”

Eduardo aborda relação entre Brasil e Estados Unidos

Durante a conversa, Eduardo também tratou das relações entre Brasil, Estados Unidos e China. Ele criticou Lula por não apoiar a decisão dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

O ex-deputado defendeu ainda maior cooperação entre Brasil e Estados Unidos na exploração de terras raras e no enfrentamento ao crime organizado. Também afirmou que uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro teria reflexos sobre a imigração ilegal para os EUA.

“Ao longo de toda a história do Brasil, os Estados Unidos sempre foram nosso principal parceiro comercial. A China só assumiu o primeiro lugar depois de 2009, e isso aconteceu durante o segundo mandato de Lula da Silva, já que ele possui uma orientação ideológica que busca a aproximação com a China.”

O Storm Summit ocorreu no hotel Ahern, em Las Vegas, e os ingressos custavam US$ 700, cerca de R$ 3,5 mil pela cotação informada. Também participaram do encontro nomes como o ex-estrategista-chefe da Casa Branca Stephen Bannon, o ativista James O’Keefe e a atriz Roseanne Barr.

O material de divulgação da conferência incluía uma bandeira brasileira acompanhada da frase “Storm Summit dá as boas-vindas à nossa família brasileira”.

Conferência termina com homenagem e oração

Na parte final do evento, o apresentador Juan O’Savin chamou ao palco Tina Peters, ex-funcionária eleitoral do Colorado condenada por permitir acesso não autorizado a equipamentos de votação. Peters buscava obter elementos para sustentar alegações de fraude na eleição presidencial dos EUA de 2020, vencida por Joe Biden.

O’Savin pediu que Eduardo Bolsonaro puxasse um “Parabéns para você”, em inglês, pelo aniversário de Peters. Depois da música, o apresentador fez uma oração por Jair Bolsonaro e pelos demais integrantes da família.

Peters então comparou sua situação à de Jair Bolsonaro:

“Estamos, sem dúvida, em uma crise constitucional. Quando podem jogar alguém como eu na prisão pelo que dizemos, e quando podem jogar alguém como Bolsonaro, esse grande homem, na cadeia, a ponto de seu filho e sua família sofrerem por nem sequer poderem vê-lo, eles podem fazer isso com cada um de vocês.”

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo