Senador que coordena campanha de Flávio queria votar contra fim da escala 6×1, mas recuou por pressão eleitoral

Rogério Marinho (PL-RN) defendia posição contrária à proposta que beneficia trabalhadores, mas aliados alertaram que voto poderia prejudicar candidato do partido no segundo turno

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O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), deixou de participar da votação que aprovou o fim da escala de trabalho 6×1 no Senado, após ser pressionado por integrantes do próprio partido e receber recados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Marinho pretendia votar contra a proposta, mas aliados avaliaram que a posição poderia provocar desgaste eleitoral para Flávio na reta final da disputa pela Presidência da República.

A divergência provocou discussões dentro da bancada do PL, que se reuniu na semana passada para definir uma estratégia diante da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de seis dias de trabalho para um de descanso.

Segundo um integrante da legenda ouvido pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, “o pau comeu” durante o encontro, em referência à intensidade das discussões entre os parlamentares.

A preocupação predominante era evitar que o partido fosse associado à oposição a uma medida de forte apelo entre os trabalhadores, especialmente durante o segundo turno da eleição presidencial.

Bolsonaro alertou para possível desgaste eleitoral

Nos dias que antecederam a votação, o ex-presidente Jair Bolsonaro também teria enviado recados a integrantes do PL, manifestando preocupação com os efeitos políticos de um voto contrário ao fim da escala 6×1.

Na avaliação transmitida aos aliados, uma posição contrária à proposta poderia ser explorada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio Bolsonaro na disputa pelo Palácio do Planalto.

A preocupação ganhou força porque Rogério Marinho ocupa uma posição estratégica na campanha presidencial do PL. Além de senador, ele é um dos principais articuladores políticos da candidatura de Flávio.

Um voto contrário à mudança na jornada de trabalho poderia, portanto, ser interpretado como um sinal da posição do núcleo político mais próximo do candidato sobre a proposta.

Diante desse cenário, parlamentares e dirigentes partidários defenderam que Marinho evitasse uma manifestação capaz de comprometer a estratégia eleitoral da legenda.

Marinho apresentou alternativa à proposta

A resistência de Rogério Marinho ao texto aprovado pelo Senado está relacionada à sua posição sobre a regulamentação da jornada de trabalho.

O senador é autor de uma emenda alternativa que estabelece a possibilidade de livre negociação da jornada entre empregados e empregadores.

A proposta representa uma abordagem diferente daquela defendida pelos parlamentares favoráveis à extinção da escala 6×1, que buscam estabelecer novas regras constitucionais para a organização do tempo de trabalho.

Marinho, que foi ministro do Desenvolvimento Regional durante o governo Jair Bolsonaro, tem atuação política associada à defesa de medidas de “flexibilização” das relações trabalhistas, que na prática significa afrouxar os direitos dos trabalhadores para beneficiar os patrões.

Apesar de sua posição sobre o tema, o senador acabou não registrando presença na sessão em que a PEC foi submetida à votação. Dessa forma, não precisou se posicionar oficialmente contra ou a favor da proposta.

Procurado pela Folha, Marinho preferiu não comentar sua posição pessoal sobre o assunto.

Senado aprovou fim da escala 6×1 com apenas um voto contrário

A proposta de emenda à Constituição que extingue a escala 6×1 foi aprovada pelo Senado na quarta-feira (14), em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário.

O único senador que votou contra a medida foi Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República no governo Jair Bolsonaro.

Além de Rogério Marinho, outros parlamentares não participaram da votação. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também não registrou voto, procedimento habitual em determinadas deliberações da Casa.

O resultado expressivo demonstrou a ampla adesão dos senadores à proposta, que se tornou um dos principais temas do debate político e trabalhista durante a campanha presidencial.

A mudança na escala de trabalho mobiliza diferentes setores da sociedade. De um lado, representantes de setores empresariais manifestam preocupação com possíveis impactos sobre custos operacionais, produtividade e organização das atividades econômicas. Do outro, trabalhadores e entidades sindicais defendem a ampliação do tempo de descanso e a melhoria da qualidade de vida que influenciaria positivamente a produtividade.

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