O delegado Marcus Vinícius Amim Fernandes, preso na oitava fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal nesta quinta-feira (15), passou de comentarista de segurança na TV a chefe da Polícia Civil do Rio em poucos anos para investigado pela corporação. Em 7 de julho, Marcus Amim foi um dos alvos da sexta fase da ação, que apura o uso de uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro do crime organizado, em cifras que passam de R$ 7,5 bilhões.
Na ocasião, a PF informou que ele poderia responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro.
Formação
Amim nasceu em Niterói e se formou em Direito na Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2003. Tinha mais de 20 anos de Polícia Civil quando assumiu a chefia da instituição, em 2023, segundo o governo do estado, mas apenas 12 como delegado. Foi titular da 27ª DP (Vicente de Carvalho), da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) e da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que comandou entre 2011 e junho de 2023.
Em 2018, recebeu a Medalha Tiradentes, maior honraria da Alerj, e em 2021 a Medalha José Clemente Pereira, da Câmara de Niterói. A Medalha Tiradentes foi proposta pelo então deputado estadual Marcio Canella, também preso e investigado na mesma operação.
Antes de chegar ao comando da polícia, Amim era conhecido pelas aparições na TV. Apresentava um quadro sobre segurança no SBT Rio e descrito como “delegado influencer”. Em declarações públicas, defendeu que “a polícia mata sim” e “tem que matar mesmo”, em referência a mortes de suspeitos em operações.
Ascensão ao comando
Em junho de 2023, deixou a DRE para presidir o Detran-RJ, a convite do então governador Cláudio Castro. Em 19 de outubro daquele ano, foi nomeado secretário de Polícia Civil, no lugar de José Renato Torres, que ficou 22 dias no cargo. A indicação veio do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (PL), pressionado por deputados, depois que Torres desagradou ao parlamentar. Bacellar hoje está preso e cassado, alvo de outra fase da mesma Unha e Carne.
Para nomeá-lo, o governo mudou a Lei Orgânica da Polícia Civil, que exigia 15 anos de experiência para chefiar a corporação. A Alerj aprovou a alteração por 61 votos a 8, um dia antes da nomeação — considerada por críticos uma manobra para acomodar a pressão política. O governo defendeu a escolha e disse que Amim tinha capacidade de gestão, demonstrada na passagem pelo Detran. Ele foi exonerado em 2024, e o posto passou ao delegado Felipe Curi.







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