O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) sinalizou a empresários que poderá promover mudanças nas regras do fim da escala de trabalho 6×1 caso vença a eleição presidencial. A indicação ocorre um dia depois de o senador anunciar que votará a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada, uma das principais bandeiras de seu adversário no segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A mudança de posicionamento reflete uma tentativa de equilibrar interesses eleitorais e econômicos. Enquanto o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso tem forte apelo entre os trabalhadores, representantes do setor produtivo manifestam preocupação com os supostos custos da medida.
Segundo informa a colunista Débora Bergamasco, da CNN Brasil, a campanha de Flávio tem pedido um voto de confiança aos empresários, com a sinalização de que eventuais ajustes poderão ser articulados a partir de 2027, caso o candidato assuma a Presidência.
A PEC tem votação prevista para esta quarta-feira (14), no plenário do Senado.
Apoio à proposta é visto como estratégia eleitoral
Até recentemente, a oposição se posicionava contra a redução da jornada de trabalho e acompanhava as críticas de empresários sobre os possíveis impactos da mudança na atividade econômica.
O grupo defendia uma proposta alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
A alternativa prevê um modelo de remuneração por hora trabalhada, considerado por seus defensores mais flexível para as empresas.
Entretanto, diante da repercussão popular do fim da escala 6×1, aliados do candidato avaliaram que um voto contrário poderia provocar desgaste político na reta final da eleição.
A decisão de apoiar a PEC foi anunciada na terça-feira (13), após Flávio visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Apesar da declaração favorável, o presidenciável manteve críticas aos efeitos econômicos da proposta e defendeu que o governo federal assuma os custos decorrentes da redução da jornada.
“A gente vai votar a favor do fim da 6 por 1 e quem vai pagar essa conta vai ser o governo, porque os empresários estão sufocados, estão quebrados. O governo é que vai ter que bancar essa compensação, porque, obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessária a contratação de mais pessoas. Tem o risco de muita gente ir para a Informalidade. Então isso tudo a gente está pesando, mas só que de novo, o meu voto vai ser conforme a vontade da maioria do povo trabalhador brasileiro”, disse a jornalistas.
PL aposta em maioria parlamentar para promover mudanças
A possibilidade de rever a medida no próximo ano está relacionada ao resultado das eleições legislativas, que ampliaram a representação do PL no Congresso Nacional.
A partir de 2027, o partido terá a maior bancada nas duas Casas, com 28 senadores e 121 deputados federais.
Esse cenário é utilizado pela campanha de Flávio para sustentar, em conversas com empresários, que haverá condições políticas para negociar alterações na legislação trabalhista.
Entre os aliados do presidenciável, a avaliação é que possíveis “correções” poderão ser discutidas depois da eleição, caso a proposta seja aprovada ainda neste ano.
A força parlamentar do PL, entretanto, não garante a aprovação de mudanças constitucionais. Uma PEC exige apoio de três quintos dos integrantes da Câmara e do Senado, em dois turnos de votação em cada Casa.
Por isso, qualquer revisão dependeria de negociações com outras legendas.
Fim da escala 6×1 entra no centro da disputa presidencial
A discussão sobre a jornada de trabalho ganhou destaque na campanha de segundo turno e se tornou um ponto de disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O presidente defende a redução da escala como uma forma de ampliar o tempo de descanso, melhorar a qualidade de vida e favorecer a convivência familiar dos trabalhadores.
Já Flávio passou a apoiar a mudança, mas condiciona sua implementação à adoção de mecanismos que reduzam os impactos financeiros sobre as empresas.
Para o setor empresarial, a principal preocupação envolve o aumento dos custos operacionais e a necessidade de contratar funcionários para compensar a diminuição da carga horária.
Por outro lado, os defensores da proposta argumentam que a redução da jornada pode melhorar as condições de trabalho, a produtividade e proporcionar maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Com a votação prevista para esta quarta-feira, o tema se consolida como uma das principais questões trabalhistas da disputa presidencial, colocando os candidatos diante de expectativas distintas de trabalhadores e empregadores.







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