A campanha negativa do PT e as críticas de apoiadores da direita contribuíram para que Flávio Bolsonaro (PL) mudasse de posição sobre o debate promovido pela Band. Menos de 12 horas depois de indicar que não compareceria, o candidato anunciou que participará do encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A avaliação entre aliados do Centrão e integrantes do bolsonarismo era de que deixar Lula diante de uma cadeira vazia representaria um risco político. A preocupação aumentou em meio à mobilização petista nas ruas e nas redes sociais, que vinha dando visibilidade à ausência de Flávio, informa a CNN Brasil.
Críticas à estratégia da campanha
Nos últimos dias, apoiadores de Flávio criticaram a condução da campanha. Entre as queixas, estavam a discussão sobre medidas de um eventual governo antes da eleição, a falta de mobilização da base e a percepção de que o adversário conseguia pautar o debate público.
Também houve críticas à estratégia de concentrar esforços no antipetismo e na resposta a notícias falsas, sem apresentar temas capazes de dominar a agenda. O jornalista Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, manifestou publicamente sua insatisfação.
“Estou escrevendo o roteiro de mais um Paulo Figueiredo Show e, como sempre, não tenho um assunto bom do Flávio Bolsonaro, um corte, uma fala boa, uma pauta dominante. É como se não existisse campanha… Alguém tem alguma sugestão? Sério”, escreveu em uma rede social.
Outros perfis de direita também responsabilizaram o PL pelo que descreveram como uma campanha que estaria “jogando parado”. Nesse cenário, a decisão de não ir ao debate passou a ser explorada pelo PT, que planejava ampliar a reação com manifestações de apoiadores, lideranças e porta-vozes do partido.
Disputa em torno das ausências
A campanha petista poderia usar contra Flávio um episódio semelhante ao ocorrido no segundo turno, quando ele anunciou que participaria de um debate da TV Globo, mas Lula informou que não compareceria. A ausência do presidente provocou uma disputa jurídica, com participação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A experiência ajuda a explicar por que o PT pretendia explorar a possibilidade de Flávio faltar ao encontro da Band. Para os petistas, a ausência poderia transformar o debate em um tema de campanha e reforçar a imagem de que o candidato do PL evitava o confronto direto com Lula.







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