STF adia para depois da eleição relatório da PF sobre ministros citados no caso Master

Documento será entregue a Edson Fachin em novembro, após análise de mensagens de Daniel Vorcaro, em meio a divergências internas na Corte

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O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu deixar para depois do segundo turno das eleições presidenciais a apresentação de um relatório da Polícia Federal (PF) sobre possíveis irregularidades envolvendo ministros da Corte e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O documento será entregue ao presidente do tribunal, Edson Fachin, apenas em novembro.

A definição ocorreu durante uma reunião realizada na terça-feira (13) entre Fachin e o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues. O objetivo é evitar que o caso provoque novas turbulências institucionais durante a reta final da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

O entendimento também teria agradado a diferentes grupos do Supremo, que vinham protagonizando divergências sobre os desdobramentos do escândalo envolvendo o antigo controlador do Banco Master.

PF vai selecionar informações relevantes

Durante a reunião, ficou estabelecido que a Polícia Federal fará um exame detalhado das conversas e mensagens de Vorcaro nas quais aparecem nomes de integrantes do STF.

O trabalho buscará identificar quais referências apresentam elementos que possam indicar irregularidades. Apenas essas situações deverão constar do relatório encaminhado a Fachin.

A simples menção a um magistrado em mensagens de terceiros não representa, por si só, indício de participação em atividades ilícitas. Por isso, os investigadores deverão considerar o contexto das conversas antes de incluir qualquer informação no documento.

Concluída essa etapa, o material será submetido à Procuradoria-Geral da República (PGR), que apresentará seu parecer.

Posteriormente, Fachin levará a questão ao plenário do Supremo, responsável por deliberar sobre os possíveis encaminhamentos.

Na avaliação de investigadores, a participação do colegiado é fundamental para assegurar que decisões envolvendo integrantes da própria Corte sejam tomadas de maneira institucional.

Eleição presidencial entra no cálculo político

Nos bastidores do STF, ministros e investigadores avaliam que o resultado das eleições poderá influenciar o ambiente interno do tribunal.

Segundo essas fontes, uma eventual vitória de Lula ou de Flávio Bolsonaro produziria cenários políticos distintos, com reflexos sobre a relação entre o Executivo e o Judiciário.

A avaliação ocorre em meio às tensões provocadas pelo caso Master, que expôs divergências entre magistrados sobre a condução dos procedimentos relacionados ao ex-banqueiro.

O adiamento para novembro permite que a discussão mais sensível seja realizada após a definição do próximo presidente da República, quando a pressão eleitoral tende a diminuir.

Caso poderá ser arquivado

Embora o relatório possa abrir caminho para novos procedimentos, existe também a possibilidade de que o assunto seja encerrado sem consequências para os ministros mencionados.

Isso ocorrerá caso prevaleça o entendimento de que as informações reunidas não apresentam elementos suficientes para justificar medidas adicionais.

A decisão dependerá da avaliação jurídica da PGR e da deliberação do plenário do Supremo.

Com o cronograma definido, Fachin busca reduzir o desgaste institucional e estabelecer um procedimento comum para tratar um dos episódios mais delicados enfrentados pela Corte nos últimos meses.

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