A prisão do vereador Jorge Canella (União Brasil), nesta terça-feira (22), amplia a lista de políticos do Rio presos nos últimos meses. A ação investiga a origem de um fuzil apreendido com o ex-prefeito de Belford Roxo e candidato a deputado estadual Márcio Canella (União Brasil). Os agentes fizeram buscas na Câmara Municipal do Rio, no Centro, e em endereços ligados ao alvo na Barra da Tijuca.
A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho, o Jorge Canella, é coronel da Polícia Militar.
“Durante as diligências na Barra da Tijuca, foi identificada a posse de arma de fogo de uso restrito – dois fuzis e uma submetralhadora – em desacordo com a previsão legal, fato que levou à prisão em flagrante do alvo da ação”, informou a PF.
Márcio Canella
Márcio Canella (União Brasil) havia sido preso em flagrante, em julho, após um fuzil calibre 5.56 ser encontrado no porta-malas de seu veículo.
O político afirmou que o fuzil pertencia a um policial militar que integrava sua equipe de segurança. Posteriormente, Alexandre de Moraes determinou sua soltura e impôs medidas cautelares, que depois foram retiradas.
O ex-prefeito permaneceu quatro dias preso em Bangu 8 e deixou a unidade em 11 de julho, por determinação de Alexandre de Moraes. Inicialmente, ele precisou cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar à noite.
Em 24 de julho, o ministro retirou as restrições. Na decisão, Moraes afirmou que não havia, naquele momento, provas diretas que ligassem Márcio Canella às operações financeiras investigadas, mas manteve o andamento das apurações.
A apreensão do fuzil também levou o governo do estado a determinar o recadastramento das armas de uso restrito cedidas para outros órgãos.
Thiago Rangel
Em maio, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso pela Polícia Federal durante a quarta fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura suspeitas de fraudes na compra de materiais e na contratação de serviços e obras para a Secretaria Estadual de Educação do Rio.
A prisão provocou uma disputa sobre a possibilidade de a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) analisar a continuidade da custódia. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), porém, confirmou por unanimidade a decisão de Alexandre de Moraes que impediu a Assembleia de rever a prisão do parlamentar.
TH Joias
Antes dele, outro deputado estadual teve a prisão relacionada a uma investigação sobre crime organizado. Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, foi preso em 3 de setembro de 2025 durante a Operação Zargun.
Segundo as investigações, o então parlamentar é suspeito de intermediar a compra e venda de armas e drogas para o Comando Vermelho, além de negociar equipamentos antidrones. Ele também foi investigado por corrupção e lavagem de dinheiro. Após a prisão, deixou o mandato na Alerj. Em setembro de 2026, TH Joias se tornou réu na Justiça Federal por suspeita de envolvimento com a facção.
Rodrigo Bacellar
A prisão de TH Joias também está no centro da investigação que levou à prisão de Rodrigo Bacellar (União Brasil), então presidente da Alerj. Ele foi preso pela Polícia Federal em 3 de dezembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Unha e Carne.
Bacellar é investigado por suspeita de ter vazado informações sigilosas da Operação Zargun, ação que resultou na prisão de TH Joias. Segundo a investigação, o vazamento teria prejudicado o andamento da operação.
O deputado deixou a prisão em 9 de dezembro, depois que a Alerj havia aprovado a revogação da prisão preventiva. Alexandre de Moraes determinou a substituição da prisão por medidas cautelares, incluindo tornozeleira eletrônica e afastamento da presidência da Assembleia.
Entenda a ação desta terça
A arma que deu origem à investigação acabou apreendida em julho, durante uma etapa da Operação Unha e Carne. O fuzil, de calibre .556, estava no porta-malas do veículo de Márcio Canella. Na ocasião, ele era investigado e seria alvo apenas de buscas, mas acabou preso em flagrante por causa da arma.
A ofensiva investiga um esquema envolvendo uma rede de postos de combustíveis que, segundo a Polícia Federal, teria movimentado R$ 7,6 bilhões em operações de lavagem de dinheiro. Na investigação, Márcio Canella era apontado pela PF como possível integrante da estrutura política ligada ao grupo.







Deixe um comentário