O ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, foi preso em flagrante na manhã desta terça-feira (7) durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF). Segundo a corporação, um fuzil calibre .556 foi encontrado no veículo do político durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão.
De acordo com a Polícia Federal, Canella era um dos alvos da operação e é investigado como um suposto braço político da organização criminosa. A prisão ocorreu pelo crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
Em nota, a PF informou que “um dos alvos da operação, investigado como braço político do grupo, foi preso em flagrante pelo crime de possuir ou portar arma de fogo de calibre restrito, após os policiais encontrarem um fuzil .556 no interior de seu veículo”.
Além de Canella, outro alvo da operação foi o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. Outro investigado é o ex-policial militar e miliciano Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, apontado na CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), concluída em 2008, como líder de um grupo paramilitar que atuava em Nova Iguaçu. Em 2009, acabou condenado e preso pelos crimes de homicídio e associação criminosa.
A operação também mirou o inspetor Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, que integrou equipes comandadas por Amim. Segundo a Polícia Federal, o agente seria o verdadeiro controlador de uma rede de postos de combustíveis registrada em nome de terceiros. As investigações apontam ainda que mais de 80 empresas, entre ativas e inativas, estão vinculadas a familiares do policial.
Agenda do Poder tenta contato com a defesa do ex-prefeito e dos demais investigados. O espaço está aberto para manifestação.
Operação investiga movimentação de R$ 7,6 bilhões
A sexta fase da Operação Unha e Carne teve como foco um grupo suspeito de utilizar uma rede de postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro para lavar dinheiro proveniente de atividades criminosas, com suposta participação e anuência de agentes públicos.
Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 19 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende.
Durante a ação, os agentes apreenderam armas, joias, dinheiro em espécie e veículos de luxo na residência de um dos investigados, em Niterói. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo.
As investigações tiveram início a partir de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou uma movimentação financeira estimada em R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos.
Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outros delitos que eventualmente forem identificados durante o avanço das investigações.
A operação integra as determinações estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou, entre outras medidas, que a Polícia Federal aprofundasse investigações sobre possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas.
Quem é Márcio Canella
Márcio Canella iniciou sua trajetória política como vereador de Belford Roxo, eleito em 2012. Em seguida, conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), onde exerceu três mandatos como deputado estadual.
Entre 2017 e 2019, licenciou-se do mandato parlamentar para ocupar o cargo de vice-prefeito de Belford Roxo, na gestão de Waguinho, então aliado político.
A relação entre ambos foi rompida após as eleições presidenciais de 2022. Enquanto Canella declarou apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Waguinho passou a apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nas eleições municipais de 2024, Canella foi eleito prefeito de Belford Roxo ao derrotar Matheus do Waguinho (Republicanos), sobrinho do ex-prefeito.
Em abril de 2026, renunciou ao cargo de prefeito para disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições deste ano. Com sua saída, a então vice-prefeita Mariana Malta assumiu o comando da prefeitura.






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