Ação da PF contra Amim e Canella encontra armas, dinheiro e carro de luxo de R$ 2,5 milhões; vídeo

Sexta fase da Operação Unha e Carne cumpriu 19 mandados no Rio de Janeiro e investiga esquema de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (7), a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma rede de postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro. Durante o cumprimento dos mandados judiciais, os agentes apreenderam um arsenal de armas, dinheiro, relógios e veículos de luxo, incluindo uma Mercedes-AMG G63 avaliada em cerca de R$ 2,5 milhões.

O automóvel estava em um imóvel no bairro de Camboinhas, em Niterói. Conhecido pelo alto padrão de luxo e desempenho, o modelo faz parte da frota de diversas celebridades internacionais e brasileiras, entre elas Kim Kardashian, Justin Bieber e Ludmilla.

Além da Mercedes, os policiais apreenderam outros carros, como um sedã da fabricante chinesa BYD e um Toyota Corolla, ambos de cor preta. Assista ao vídeo:

Arsenal e dinheiro em espécie

Durante as buscas, a Polícia Federal também encontrou diversas armas de fogo, entre elas pistolas, um fuzil de cano curto, carregadores e munições. Os agentes apreenderam ainda quantias em dinheiro em moeda nacional e em dólares, além de relógios de luxo.

Segundo a corporação, todo o material foi localizado em um dos endereços ligados aos investigados por suposta participação na estrutura criminosa.

Mandados em cinco municípios

Nesta etapa da operação, a PF cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em imóveis localizados na capital fluminense, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende.

A Justiça também autorizou medidas patrimoniais contra os investigados, incluindo o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de empresas apontadas como integrantes do esquema.

Entre os alvos dos mandados estão Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, e Marcus Amim, ex-secretário de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro. Canella foi preso em flagrante após os agentes encontrarem um fuzil calibre 5.56 em seu carro.

Outro investigado é o ex-policial militar e miliciano Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, apontado na CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), concluída em 2008, como líder de um grupo paramilitar que atuava em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Em 2009, acabou condenado e preso pelos crimes de homicídio e associação criminosa.

A operação também teve como alvo o inspetor Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, que integrou equipes comandadas por Amim. Segundo a Polícia Federal, o agente seria o verdadeiro controlador de uma rede de postos de combustíveis registrada em nome de terceiros. As investigações apontam ainda que mais de 80 empresas, entre ativas e inativas, estão vinculadas a familiares do policial.

Investigação aponta movimentação bilionária

De acordo com a Polícia Federal, um relatório produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que o grupo investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.

As investigações indicam que empresas do setor de combustíveis teriam sido utilizadas como plataforma para ocultação e dissimulação de recursos ilícitos. A PF também apura a participação de agentes públicos na suposta organização criminosa.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e outros crimes que venham a ser identificados ao longo da investigação.

Fases anteriores ampliaram o alcance da investigação

A Operação Unha e Carne foi deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2025 para investigar um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais direcionadas ao Comando Vermelho (CV).

Com o avanço das investigações, o escopo da apuração foi ampliado. A PF passou a investigar uma suposta rede de proteção ao crime organizado que envolveria agentes públicos, parlamentares, integrantes do Judiciário e operadores financeiros.

Na semana passada, durante a quinta fase da operação, foi preso o pastor Márcio Poncio, investigado por suposta ligação com a chamada “Máfia do Cigarro”.

Na mesma etapa, a Justiça também decretou a prisão do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como um dos principais nomes do jogo do bicho no Rio de Janeiro, além do ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estava preso. As investigações dessa fase apuram suspeitas de lavagem de dinheiro e de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

As fases anteriores da Operação Unha e Carne também tiveram como alvos o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, investigado por suposto vazamento de informações sigilosas, e o deputado estadual Thiago Rangel, preso sob suspeita de participação em fraudes envolvendo contratos da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro.

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