TH Joias negociou arma antidrones com o Comando Vermelho, aponta denúncia do MPF

Ex-deputado também é acusado de intermediar negócios de armas e drogas com integrantes do TCP e da ADA, segundo o Ministério Público Federal

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O ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de negociar com integrantes do Comando Vermelho (CV) uma arma capaz de derrubar drones. Segundo a denúncia, ele chegou a demonstrar em vídeo o funcionamento do equipamento antes da negociação com o traficante Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, ligado ao Complexo do Alemão.

A denúncia afirma que TH Joias integrava uma organização criminosa ligada ao CV que atuava na aquisição de grandes quantidades de armas, equipamentos antidrones e drogas. O grupo também teria intermediado informações sobre operações policiais e mantido negócios com outras facções do Rio.

Além do Comando Vermelho, a investigação aponta negociações com integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) e da Amigos dos Amigos (ADA). As informações fazem parte da denúncia apresentada pelo MPF no âmbito da Operação Zargun.

Equipamentos eram comprados na China

Segundo o MPF, TH Joias passou a explorar comercialmente a venda de drones e de equipamentos usados para interromper sinais e impedir voos de aeronaves não tripuladas. Entre os produtos estavam bazucas antidrones e detectores desse tipo de equipamento.

Em outubro de 2023, TH Joias conversou por mensagens com Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio da Favela do Lixão, sobre uma demonstração feita pelo então parlamentar. Na conversa, TH perguntou se Pezão havia visto um vídeo no qual ele derrubava um drone.

Índio respondeu que Pezão estava com ele e havia visto a demonstração. Na sequência, TH informou que o equipamento mais barato seria vendido por R$ 750 mil e afirmou que não faria a venda para qualquer pessoa.

De acordo com a denúncia, os equipamentos eram adquiridos no exterior por meio de uma empresa de propriedade de Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu. Uma das bazucas antidrones teria sido comprada na China por R$ 19,4 mil, enquanto um detector de drones custou R$ 21,5 mil.

Negócios também envolveram armas e drogas

A denúncia do MPF aponta que a atuação do grupo não se limitava aos equipamentos antidrones. Em uma conversa de setembro de 2024, Dudu ofereceu a Wallace da Costa Trindade, conhecido como Lacoste e apontado como um dos chefes do TCP, um fuzil e dois carregadores.

Segundo a mensagem, a arma teria sido apreendida em uma operação na comunidade Cesar Maia, em Vargem Pequena, área controlada pelo CV. O MPF não detalha na denúncia como o armamento apreendido teria sido desviado para uma negociação com uma facção rival.

A investigação também atribui ao grupo a venda de pelo menos 148 quilos de cocaína para Lacoste. Segundo a denúncia, a entrega ocorreu em agosto de 2024 e foi intermediada por Dudu e por Gabriel Dias de Oliveira. O documento afirma que Lacoste teria realizado o negócio sem saber que os vendedores integravam uma organização ligada ao CV.

Relação com integrantes da ADA

A denúncia também aponta uma relação entre integrantes do grupo e pessoas ligadas à Amigos dos Amigos. Um dos episódios envolve R$ 175 mil apreendidos dentro de um carro que havia saído da Vila Vintém em abril de 2024.

O veículo foi abordado por policiais militares na Avenida Brasil. Luiz Eduardo Cunha Gonçalves estava no carro e, na ocasião, afirmou que o dinheiro seria proveniente da venda de um automóvel.

Em uma mensagem enviada em abril de 2025, Dudu afirmou que precisava devolver a quantia ao “velho”. Para o MPF, a referência seria a Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, apontado como fundador da ADA.

A defesa de Celsinho, feita pelo advogado Max Marques, negou que o dinheiro apreendido pertencesse ao cliente. O advogado também afirmou desconhecer quem seria o “velho” mencionado nas mensagens e negou que Celsinho tenha recebido oferta de cargo público. Segundo a defesa, ele está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Investigação cita possível influência na Alerj

As mensagens analisadas pelo MPF também fazem referência à possibilidade de indicação de uma pessoa ligada a Celsinho para um cargo público. Em junho de 2024, TH Joias teria orientado Dudu a verificar se Celso Luís Rodrigues gostaria de nomear alguém para uma função.

Posteriormente, Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor e apontado nas investigações como integrante do grupo, teria desaconselhado a indicação. Segundo a denúncia, ele argumentou que uma pessoa com processo criminal não deveria ser indicada em razão das regras de compliance da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

A denúncia afirma que a organização criminosa mantinha integrantes em cargos públicos e atuava dentro da Alerj e de secretarias estaduais para obter informações sobre operações policiais e facilitar negócios ilegais.

Acusações contra TH Joias

TH Joias é réu no processo decorrente da Operação Zargun, investigação que apura um esquema de corrupção e comércio ilegal de armas e drogas. O TRF2 recebeu a denúncia do MPF, tornando réus, além do ex-deputado, Gabriel Dias de Oliveira, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, Alessandro Pitombeira Carracena e o delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel.

Segundo o MPF, TH Joias responde por organização criminosa majorada, tráfico de drogas, contrabando de equipamentos, corrupção ativa e comércio ilegal de armas de fogo e munições. A denúncia também atribui a ele três episódios de tráfico de drogas e 11 de contrabando.

A investigação aponta ainda que o grupo mantinha drogas em depósito. Em um dos registros reunidos pelo MPF aparece uma planilha identificada como “PÓ AMIGO TH”, além de imagens de sacos com drogas e uma mensagem mencionando 200 quilos. A própria denúncia apresenta uma divergência ao identificar inicialmente o material como cocaína e, na descrição das imagens, como maconha.

TH Joias continua preso em penitenciária federal. Sua defesa não foi localizada para comentar a acusação.

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