Um vídeo de câmeras de segurança registrou os segundos finais da abordagem policial que terminou com o pizzaiolo Danilo Jander Francisco Alves, de 26 anos, baleado na cabeça em Icaraí, Niterói. As imagens mostram que apenas cerca de cinco segundos separam o lançamento de spray de pimenta contra o motociclista e o disparo feito por outro policial militar.
O caso ocorreu na noite de sábado. Danilo, que trabalhava como pizzaiolo no Sushi Rão, estava a caminho do trabalho quando foi perseguido por dois policiais militares em motocicletas. Segundo a versão apresentada pelos agentes, o rapaz teria desobedecido a uma ordem de parada.
As imagens, no entanto, acrescentam um elemento importante à investigação. O motociclista aparenta diminuir a velocidade ao chegar a um congestionamento. Nesse momento, um dos policiais lança spray de pimenta em sua direção. Logo depois, o outro agente faz o disparo que atinge Danilo, que cai ao lado da motocicleta.
Veja o vídeo:
PM responsável pelo tiro foi preso
O Segurança Presente informou que os policiais fizeram um cerco após Danilo desobedecer a uma ordem de parada durante patrulhamento em Icaraí. O órgão confirmou que um dos agentes efetuou o disparo.
O policial responsável pelo tiro foi preso e encaminhado para uma unidade prisional da corporação. A Corregedoria da Polícia Militar acompanha o caso e instaurou procedimento para apurar as circunstâncias da ocorrência.
A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) também investiga o episódio e procura outras imagens que possam ajudar a reconstruir toda a sequência da abordagem.
Policial diz que disparo foi involuntário
Em depoimento, os policiais afirmaram que Danilo teria passado por um sinal vermelho em alta velocidade e empinado a motocicleta durante uma tentativa de fuga. Segundo eles, a perseguição terminou quando o trânsito congestionado permitiu que alcançassem o motociclista.
Um dos agentes declarou ter usado spray de pimenta para impedir que Danilo prosseguisse. O PM que efetuou o disparo afirmou que, ao desembarcar, viu o rapaz fazer um gesto com a mão na altura da cintura e, por isso, sacou a pistola.
De acordo com o depoimento do próprio policial, o tiro teria ocorrido de maneira involuntária. Após Danilo ser atingido, ele foi revistado, mas nada de ilícito foi encontrado.
Testemunha apresenta versão diferente
Uma testemunha ouvida pela Polícia Civil deu uma versão diferente daquela apresentada pelos agentes. Segundo ela, Danilo já estaria com a motocicleta parada e com as mãos para o alto quando recebeu o spray de pimenta e, na sequência, foi baleado.
A testemunha relatou ainda que, após o disparo, um policial desceu da motocicleta, tocou Danilo com o pé e revistou seus bolsos. Segundo o depoimento, o movimento com o pé não aparentou ser um golpe, mas uma tentativa de verificar se o rapaz estava consciente.
As diferentes versões deverão ser confrontadas com as imagens já obtidas e com outros elementos reunidos pela investigação.
Pai contesta versão dos policiais
Danilo permanece internado em estado grave no Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca. O pai dele, o educador físico Jander Luiz de Souza Alves, afirmou que o filho passa por exames para verificar se ainda existe atividade cerebral.
“Não teve nada de sem querer, não. Ele tentou matar meu filho mesmo”, afirmou Jander.
O pai também rejeitou a versão de que o filho trafegava em alta velocidade e empinava a motocicleta. Segundo ele, Danilo tinha habilitação e a moto estava regular, tendo sido devolvida à família depois da perícia.
“Mesmo assim, isso não justificaria um tiro na cabeça. Ele tem habilitação, e a moto estava regular. Tanto que ela foi devolvida à família após a perícia. Ele estava de capacete, que agora está em casa com o furo da bala”, declarou.
A DHNSGI segue buscando novas gravações para esclarecer a dinâmica do disparo e determinar as responsabilidades no episódio.







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