Justiça marca 1ª audiência sobre morte de pizzaiolo em Niterói; família cobra respostas

Danilo Jander Francisco Alves, de 26 anos, foi baleado na cabeça por um agente do Segurança Presente em Icaraí

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A família do pizzaiolo Danilo Jander Francisco Alves, de 26 anos, espera que a primeira audiência do processo sobre a morte do jovem esclareça as circunstâncias da abordagem policial que terminou com um tiro na cabeça da vítima. O encontro está marcado para o dia 23 deste mês, às 13h30, na 3ª Vara Criminal da Comarca de Niterói, segundo informações dos parentes.

Danilo morreu em setembro, três dias depois de ser baleado durante uma abordagem de agentes do Segurança Presente em Icaraí, Niterói, na Região Metropolitana. O militar apontado como responsável pelo disparo é Cristiano Pessoa Campos, que foi preso em flagrante.

Desde a morte do jovem, familiares realizam manifestações e cobram respostas sobre a atuação dos agentes. Douglas William Alves, tio de Danilo, contou ao Agenda do Poder que a família quer entender o motivo da abordagem.

“Desde o falecimento do Danilo, nós estamos fazendo manifestações. E na audiência a gente queria que fosse esclarecido o porquê daquela abordagem tão incisiva. Qual era o risco que o Danilo estava transmitindo naquele momento para a sociedade e para os agentes?”, questiona.

“Por que uma abordagem tão incisiva, daquela forma tão brutal, ao meu ver, com spray de pimenta, com arma em punho na direção da cabeça. Essas coisas que eu queria que ficassem muito bem esclarecidas para a gente nessa primeira audiência”, completou.

Morte após abordagem em Icaraí

Danilo foi baleado na noite de sábado, 12 de setembro, durante uma abordagem de agentes do Segurança Presente. Ele chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado para o Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói. No entanto, jovem teve morte cerebral e morreu na terça-feira, dia 15.

Na ocasião, o policial responsável pelo disparo acabou preso em flagrante. O caso passou a ser investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG).

Versões diferentes sobre a abordagem

Em depoimento, um dos agentes afirmou que ele e um colega faziam patrulhamento quando viram Danilo em uma motocicleta. Segundo o policial, o jovem teria avançado o sinal vermelho, trafegado em alta velocidade e empinado a moto.

Os agentes seguiram o motociclista até que o trânsito o obrigou a parar. Ainda de acordo com o depoimento, um dos policiais utilizou spray de pimenta durante a abordagem.

O agente afirmou que viu Danilo levar a mão à cintura, sacou a arma e, ao desembarcar da motocicleta, fez o disparo. Segundo ele, o tiro foi involuntário e atingiu o jovem na cabeça. Após a ocorrência, os policiais revistaram Danilo e não encontraram nenhum material ilegal.

Uma testemunha, no entanto, apresentou uma versão diferente. Ela relatou que Danilo parou a motocicleta e levantou as mãos quando estava cercado pelos agentes. Um vídeo de câmeras de segurança corrobora esse relato.

A testemunha também afirmou que um dos policiais usou spray de pimenta contra o motociclista e que, quase imediatamente depois, o outro agente efetuou o disparo. Segundo ela, não houve atitude suspeita de Danilo antes da abordagem.

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