Plano de R$ 68 bilhões para metrô, VLT e BRT entra no debate da Alerj

Levantamento do BNDES reúne 15 projetos para ampliar a mobilidade na Região Metropolitana e reacende discussão sobre a Linha 3 do metrô entre Rio, Niterói e São Gonçalo

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Projetos de transporte discutidos há décadas no Rio voltaram ao centro do debate político no estado. O levantamento do BNDES que identificou 15 iniciativas consideradas prioritárias para ampliar as redes de metrô, VLT e BRT na capital, na Baixada Fluminense e em outros municípios da Região Metropolitana entrou na ordem do dia da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

O assunto mobilizou os deputados Luiz Paulo (PSD) e Professor Josemar (PSOL) durante a sessão plenária, na terça-feira (25). Juntas, as propostas somam 544 quilômetros e exigiriam investimentos de pelo menos R$ 68 bilhões. O pacote inclui projetos antigos, como a Linha 3 do metrô, além de novas conexões e ampliações dos sistemas de transporte.

Luiz Paulo ressaltou, no entanto, que a existência do levantamento e de possibilidades de financiamento não significa que as obras estejam garantidas. “Ninguém está dizendo que vai fazer, está dizendo que tem no BNDES dinheiro para o financiamento”, ponderou.

Linha 3 volta ao debate

Entre as propostas que mais chamaram a atenção dos parlamentares está a Linha 3, planejada para melhorar a ligação metroviária entre o Rio e São Gonçalo. O estudo contempla a conexão da Carioca à Praça Quinze e, a partir dali, a travessia em túnel em direção ao outro lado da Baía de Guanabara.

Luiz Paulo lembrou que a estação Carioca já foi planejada para permitir a expansão até a Praça Quinze e destacou o potencial de uma ligação com São Gonçalo. Para o parlamentar, a implantação do sistema teria impacto estrutural na mobilidade metropolitana.

“O metrô é caro? É. Muito. Mas resolve de forma definitiva a questão da mobilidade”, afirmou.

O deputado também recordou que a discussão sobre a Linha 3 atravessa diferentes governos. “Tem projetos que são históricos e não saem do papel. O metrô é estruturador do transporte”, disse.

Cobrança por São Gonçalo e Niterói

Professor Josemar aproveitou o debate para defender a retomada da Linha 3, principalmente pelos efeitos que o projeto poderia produzir em Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.

“A questão da Linha 3 do metrô é uma questão importantíssima para a região de Niterói, de São Gonçalo e também de Itaboraí”, afirmou.

Segundo o parlamentar, uma ligação sobre trilhos teria capacidade para atender o grande deslocamento diário de moradores da região em direção aos centros de emprego e serviços. Josemar lembrou ainda que a expansão metroviária já influenciava discussões sobre ocupação urbana na região há cerca de três décadas.

“Fica aqui a nossa exigência. Vamos olhar com muito carinho e com muita atenção. É uma luta que nós temos aqui nesta Casa”, declarou. Para ele, o objetivo deve ser garantir “uma mobilidade urbana que atenda de verdade o interesse dos trabalhadores”.

Novas conexões na capital

O levantamento também prevê outras possibilidades para a cidade do Rio. Luiz Paulo citou uma ligação entre a Rua Uruguai, na Tijuca, e a região de Triagem, permitindo integração com os sistemas ferroviário e metroviário e a formação de uma espécie de anel de transporte sobre trilhos.

Outra proposta destacada pelo deputado é a implantação de um VLT ligando a estação Botafogo do metrô à Gávea, passando pelo Humaitá e pelo Jardim Botânico. A ideia seria criar uma alternativa ao transporte rodoviário em uma região marcada por congestionamentos.

“Achei essa disponibilidade do BNDES muito positiva”, afirmou Luiz Paulo, ao defender também a ampliação da infraestrutura de BRT.

Baixada também está no pacote

As propostas analisadas não ficam restritas ao transporte sobre trilhos. O conjunto de projetos contempla possíveis expansões do BRT para aumentar a integração entre a capital e municípios da Baixada Fluminense.

Apesar da avaliação positiva, Luiz Paulo reconheceu que a situação fiscal do Estado impõe obstáculos à contratação de novos investimentos e defendeu atenção às condições dos financiamentos. Para ele, caberá aos parlamentares pressionar os próximos governos para que os projetos avancem caso existam condições financeiras.

“Por via de consequência, cabe a nós parlamentares cobrarmos dos próximos governos tais investimentos, já que existe a fonte de financiamento”, afirmou.

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