Barbárie na UFRJ: estudantes espancam colega em ritual coletivo de fúria; veja o vídeo

As direções da UFRJ e do IFCS não podem dar margem a especulações nem alimentar versões de que estejam protegendo pessoas que praticaram violência física e colocaram em risco a integridade e a vida de um de seus alunos

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Socos, pontapés, golpes na cabeça e chutes desferidos repetidamente, num ritual coletivo de fúria. Não, não eram os seguranças de Copacabana em ação durante a barbárie que levou à morte do jovem Cláudio Rafael. As cenas descritas acima aconteceram nesta quarta-feira, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dentro do prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS).

Tomados pelo ódio, estudantes espancaram um colega que vestia uma camiseta com referências à banda britânica Death in June, conhecida pelo uso de símbolos, nomes e uniformes militares associados ao Terceiro Reich.

De nada valeu o broche com uma suástica cortada por uma faixa vermelha, símbolo de condenação ao nazismo, portado pela vítima. Os estudantes foram tomados pela fúria e decidiram fazer justiça com as próprias mãos, protagonizando um espetáculo dantesco.

O episódio seria repugnante em qualquer circunstância. Nas dependências da UFRJ, torna-se uma grotesca e inacreditável cena de barbárie — talvez ainda mais grave, se é que isso é possível, do que o espancamento de Cláudio Rafael. Afinal, os agressores eram estudantes do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais de uma das maiores universidades públicas do país. Integrantes do que deveria constituir parte da elite intelectual brasileira.

O caso deve ser levado à Polícia Federal para a imediata abertura de um inquérito destinado à apuração rigorosa das circunstâncias e das responsabilidades. Não se pode passar pano para um ato de tamanha selvageria, no qual estudantes espancam um colega dentro das dependências da universidade.

A nota divulgada pelo IFCS se assemelha aos comunicados da Polícia Militar quando policiais matam moradores de favelas e pessoas pobres no Rio de Janeiro. Tergiversa num texto prenhe de lugares-comuns. A UFRJ precisa reagir com firmeza, sem complacência ideológica, e aplicar as sanções cabíveis, inclusive a expulsão nos casos em que essa penalidade for juridicamente aplicável.

As direções da UFRJ e do IFCS não podem dar margem a especulações nem alimentar versões de que estejam protegendo pessoas que praticaram violência física e colocaram em risco a integridade e a vida de um de seus alunos. Não há como transigir diante de um caso dessa gravidade.

Independentemente do que tenha sido dito ou feito pelo aluno, nada justifica o bárbaro espancamento. Foi um linchamento com requintes de crueldade, que remete às mais dantescas cenas da Idade Média.

Divergências políticas, ideológicas ou de qualquer outra natureza fazem parte do processo democrático. Devem ser enfrentadas pelo debate, pelo confronto de ideias e, quando necessário, nos tribunais. Jamais por meio da violência física.

Os estudantes envolvidos parecem ter esquecido os ensinamentos de Kant e de outros pensadores humanistas que ajudaram a construir os fundamentos da tolerância, da convivência pacífica e do respeito à dignidade humana.

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