Lula promete reforçar segurança, educação e tecnologia em eventual quarto mandato

Em sabatina na TV Globo, presidente defendeu maior participação federal no combate ao crime e investimentos para o Brasil produzir mais conhecimento e tecnologia

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou segurança pública e educação entre os principais desafios de um eventual quarto mandato durante sabatina da TV Globo nesta quinta-feira (27). Candidato à reeleição, ele defendeu uma participação maior do governo federal no combate ao crime organizado e investimentos na formação de profissionais para áreas estratégicas da economia.

Entrevistado por César Tralli e Renata Vasconcellos, Lula também relacionou educação, tecnologia e crescimento econômico. Segundo o presidente, o Brasil precisa avançar na formação de profissionais em matemática, engenharia e áreas digitais para competir em setores de maior valor agregado e diminuir a dependência da exportação de produtos básicos.

Economia mira conhecimento e tecnologia

Ao falar sobre os próximos anos da economia, Lula defendeu uma mudança no perfil produtivo brasileiro. Ele afirmou que produtos como minério de ferro e soja continuarão importantes, mas sustentou que o país precisa ampliar sua capacidade de produzir e exportar conhecimento.

“Eu quero que o Brasil seja exportador de inteligência e conhecimento”, afirmou.

Na avaliação apresentada pelo presidente, educação e desenvolvimento econômico estão diretamente ligados. Lula citou o crescimento do número de trabalhadores com formação universitária ao longo das últimas décadas e disse que pretende ampliar esse contingente.

O objetivo apresentado na entrevista é preparar mais brasileiros para atividades que demandam maior qualificação e capacidade tecnológica. Lula apontou matemática, engenharia, mundo digital e inteligência artificial entre as áreas que deverão receber atenção.

O presidente também associou essa estratégia à necessidade de o Brasil ganhar competitividade internacional. Na sua avaliação, investir na formação de mão de obra qualificada permitiria ao país agregar valor à produção em vez de concentrar parte importante de sua presença internacional na exportação de commodities.

Educação terá foco em professores e matemática

Na educação, Lula destacou a formação de professores como um dos pontos que precisam ser enfrentados para melhorar o aprendizado dos estudantes.

O presidente afirmou que seu governo adotou uma política de incentivo para atrair estudantes de bom desempenho para a carreira docente. Segundo ele, jovens que se destacam e optam pela formação para se tornarem professores recebem incentivo por meio de bolsa.

A intenção, afirmou Lula, é tornar a carreira mais atraente para estudantes com bom desempenho acadêmico, partindo da avaliação de que a qualidade da formação do professor tem influência direta sobre o aprendizado dos alunos.

Outro ponto destacado foi o ensino de matemática. Lula lembrou a experiência das Olimpíadas de Matemática e citou a elevada participação de estudantes nas competições como demonstração de que crianças e adolescentes podem desenvolver interesse pela disciplina quando são estimulados.

O presidente também mencionou uma iniciativa no Rio de Janeiro destinada a estudantes que se destacam em matemática e afirmou que o país não pode perder jovens com alto potencial acadêmico.

Para um eventual quarto mandato, Lula defendeu ampliar a formação em matemática, engenharia, tecnologia digital e inteligência artificial.

Lula promete Ministério da Segurança

A segurança pública ocupou outro bloco importante da entrevista. Questionado sobre o crescimento do crime organizado durante as últimas décadas, incluindo os períodos em que o PT comandou a Presidência, Lula argumentou que o modelo definido pela Constituição atribui aos estados papel central na área.

O presidente reconheceu, entretanto, que o governo federal precisa assumir maior participação na coordenação das políticas de segurança.

Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e afirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da proposta.

A ideia, segundo ele, é estabelecer de maneira mais clara as atribuições da União, dos estados e dos municípios e permitir uma atuação integrada contra organizações criminosas.

“Qual vai ser o papel da União? Qual vai ser o papel do Estado? Qual vai ser o papel do município?”, questionou.

Retomada de territórios entra como prioridade

Pressionado sobre os índices de violência da Bahia, estado governado pelo PT há cerca de duas décadas, Lula afirmou que o problema da segurança não foi resolvido por nenhum governador brasileiro.

“Nenhum governador do Brasil. Nenhum. Conseguiu resolver o problema da segurança pública”, declarou.

O presidente defendeu investimento em inteligência e integração das forças policiais como caminho para enfrentar facções criminosas. Também sustentou que a Polícia Federal precisa ter condições de participar de investigações e operações de maior alcance.

Um dos objetivos apresentados por Lula é recuperar áreas submetidas ao controle de organizações criminosas.

“O meu desejo é recuperar o território do povo”, afirmou.

Lula defendeu ainda ampliar a cooperação internacional no combate ao narcotráfico. Segundo ele, uma estrutura da Polícia Federal foi montada em Manaus para fortalecer o controle das fronteiras e reunir representantes de forças de segurança de países sul-americanos.

O presidente afirmou também estar disposto a trabalhar em conjunto com os Estados Unidos no enfrentamento ao narcotráfico e ao crime organizado.

Para Lula, grandes municípios, como Rio de Janeiro e São Paulo, também precisam participar do esforço de segurança, dentro de um modelo integrado com os governos estaduais e federal.

Lulinha no início da sabatina

Além dos debates sobre segurança, educação e os rumos econômicos do país, Lula foi questionado sobre as investigações que envolvem seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na primeira parte da sabatina.

O presidente classificou as suspeitas como “ilações”, declarou acreditar na inocência do filho e afirmou que não interferirá no trabalho da Polícia Federal.

“Se o Fabio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão”, disse.

Lula afirmou ainda que não pretende afastar delegados ou realizar qualquer movimento para proteger o filho. Segundo o presidente, caso seja chamado a prestar depoimento, Lulinha deverá comparecer e apresentar seus esclarecimentos.

“Ele sabe que tem que provar a inocência dele, e tenho certeza que ele é inocente”, declarou.

A entrevista integra a série de sabatinas da TV Globo com candidatos à Presidência. Lula foi o quarto participante. Nesta sexta-feira (28), o entrevistado será Flávio Bolsonaro (PL).

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