PF no STF: Mendonça manteve sigilo de Toffoli e divulgou Moraes

Segundo reportagem, relator manteve relatório sobre Toffoli engavetado enquanto deu publicidade imediata a acusações contra Moraes

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A divulgação de documentos da Polícia Federal sobre as conexões entre integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e o banqueiro Daniel Vorcaro expôs uma atuação assimétrica do relator do caso Master no tribunal, ministro André Mendonça. Conforme revelado pela revista Piauí, o magistrado adotou pesos e medidas discrepantes ao tratar de levantamentos de teor semelhante elaborados pelos mesmos delegados da PF e extraídos da mesma fonte de dados: o telefone celular apreendido do dono do Banco Master.

Em fevereiro de 2026, a Polícia Federal concluiu um dossiê de 196 páginas inteiramente focado nas relações de Dias Toffoli com o instituição financeira. O documento detalhava que a corporação trabalhava com a hipótese de Toffoli ser o “beneficiário final” de um fundo sócio do resort Tayayá que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro e transferiu os bens para uma offshore no Caribe, além de citar a mudança de voto do ministro em uma causa sobre precatórios bilionários do setor sucroalcooleiro.

Apesar de presidir a relatoria do processo, Mendonça manteve o relatório guardado na gaveta, sem determinar diligências, requerer o envio do material à Procuradoria-Geral da República ou retirar o sigilo do processo, conforme a reportagem.

Com Moraes, outro caminho

A conduta de Mendonça em relação a Alexandre de Moraes seguiu o caminho oposto. Em agosto, o relator encomendou de ofício um novo levantamento com prazo de 72 horas para a PF, impondo inicialmente o nível máximo de segredo para, apenas quatro dias depois, derrubar o sigilo do documento e encaminhá-lo para deliberação do Plenário. O movimento de dar publicidade às acusações contra Moraes ocorreu poucas horas após o surgimento de reportagens sobre o candidato Flávio Bolsonaro e a pouco mais de um mês da eleição presidencial, submetendo o rival político do bolsonarismo ao escrutínio público enquanto Toffoli permanecia resguardado.

As apurações da Piauí demonstram que a seletividade se refletiu até na interpretação das mesmas provas. Um diálogo em que o empresário Márcio Chaer narra a movimentação de Moraes para convidar o ministro Gilmar Mendes a um evento em Londres foi citado no relatório de Toffoli como mera tentativa de Vorcaro de esconder o patrocínio do Master. Já no relatório de Moraes, a exata mesma mensagem foi promovida por Mendonça como evidência central da atuação do ministro na organização do encontro financiado pelo banco, confirmando a disparidade no tratamento conferido aos dois magistrados.

Em nota à revista antes das revelações, o gabinete de Dias Toffoli afirmou que ele “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima” com Daniel Vorcaro e negou ter recebido qualquer valor do banqueiro ou de seu cunhado.

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