A decisão do PL de apresentar o senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à Presidência do Senado provocou uma divisão no partido também em torno da disputa pelo comando da Câmara dos Deputados. A bancada está dividida entre apoiar a reeleição do atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), e lançar um nome próprio para concorrer ao cargo.
A discussão ganhou força nesta quarta-feira (4), após o anúncio da candidatura de Marinho ao Senado, informa Diário do Centro do Mundo. Uma ala do PL defende uma composição com Motta para evitar o isolamento da legenda na distribuição das presidências das comissões da Câmara. O atual presidente já reúne o apoio de 15 partidos, que devem formar o maior bloco da Casa.
PL teme perder espaço nas comissões
Integrantes do grupo favorável à aliança calculam que, caso fique de fora do bloco liderado por Motta, o PL terá apenas a 16ª escolha entre as comissões disponíveis para presidir. Se aderir à composição, por ter a maior bancada, o partido poderá escolher um dos três primeiros colegiados.
“Um gesto como esse [lançar candidatura contra Motta] nos deixaria fora do bloco. E estar fora do bloco significa não ter nenhuma comissão relevante. Ou seja, seríamos apenas coadjuvantes por dois anos”, afirmou um parlamentar que acompanha as negociações.
A ala pragmática também usa como exemplo a eleição para a presidência do Senado em 2023. Na ocasião, Rogério Marinho enfrentou Rodrigo Pacheco, foi derrotado e o PL acabou sem espaço na Mesa Diretora e no comando de comissões da Casa.
Nikolas Ferreira defende candidatura própria
Do outro lado, uma parcela expressiva da bancada, especialmente entre os deputados novatos, defende que o PL tenha um candidato próprio à presidência da Câmara, mesmo que não exista perspectiva de vitória. A avaliação é de que a candidatura serviria para marcar posição política e apresentar uma resposta ao eleitorado.
“Queremos uma candidatura própria, seja pra ganhar ou para perder”, resumiu um integrante desse grupo.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também defendeu publicamente que o partido entre na disputa. Ele mencionou como possíveis candidatos os deputados Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).
“Minha posição é que existem coisas maiores em jogo agora do que meras comissões, que são importantes, mas que agora o peso maior é uma resposta que a gente tem que dar ao povo brasileiro”, afirmou Nikolas.
O grupo contrário à aproximação com Motta argumenta ainda que os requerimentos de urgência reduziram a influência das comissões no processo de tramitação dos projetos, diminuindo a importância de controlar esses colegiados.
Bancada decidirá posição na próxima semana
A bancada do PL deve se reunir na próxima quarta-feira (11) para definir se apoiará a reeleição de Hugo Motta ou se lançará uma candidatura própria à Presidência da Câmara. A reunião também deverá servir para discutir os nomes que poderiam representar o partido na disputa.
O PT, que já formalizou apoio a Motta, articula para impedir a entrada do PL no bloco. Há deputados petistas que condicionam a permanência na aliança ao isolamento da oposição, o que acrescenta mais um obstáculo às negociações entre as legendas.







Deixe um comentário