O PL oficializou nesta quarta-feira (4), em Brasília, a candidatura do senador Rogério Marinho (RN) à presidência do Senado. Escolhido para representar a oposição na disputa, o parlamentar apresentou propostas para a próxima gestão da Casa, entre elas permitir a votação do projeto de anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado e adotar o voto aberto na eleição da Mesa Diretora. A eleição está marcada para 1º de fevereiro.
Após uma reunião com cerca de 30 senadores, Marinho afirmou que sua candidatura pretende “destravar pautas” da oposição e ampliar a participação dos parlamentares nas decisões do Congresso. O senador também defendeu mudanças na distribuição de espaços nas comissões e prometeu respeitar os grupos que não integrarem sua eventual base de apoio.
“O Congresso Nacional vai nos dar condição de destravar a pauta e vamos permitir que o projeto da anistia seja apreciado”, afirmou.
Marinho defende voto aberto e fala sobre STF
Outra proposta apresentada pelo senador é mudar o modelo de votação para a presidência do Senado, atualmente realizado de forma secreta. Para Marinho, a adoção do voto aberto permitiria que os eleitores acompanhassem o posicionamento de seus representantes. Ele reconheceu, porém, que será necessário avaliar como implementar a mudança.
“Voto aberto é extremamente recomendável e necessário, mas vamos avaliar de que forma podemos fazer”, disse.
O parlamentar também procurou afastar a ideia de que sua candidatura tenha como objetivo promover uma ofensiva contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, não pretende transformar pedidos de impeachment em bandeira eleitoral, mas não descartará a análise de eventuais denúncias por crimes de responsabilidade.
“Evidente que não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja, somos candidatos defendendo a Constituição. Se algum ministro do STF cometer crime de responsabilidade, não seremos omisso, mas não vamos antecipar ou fazer juízo de valor”, afirmou.
Senador promete acordo com Tereza Cristina
Apesar de ter oficializado sua candidatura, Marinho reconheceu que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também tem legitimidade para disputar o comando da Casa. Os dois conversaram nesta quarta-feira e, segundo ele, pretendem buscar uma composição para apresentar um nome único da oposição contra o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP).
“A Tereza tem toda a legitimidade para ser candidata. Conversamos pela manhã. Ela naturalmente vai tentar viabilizar sua candidatura e, em momento oportuno, vamos convergir”, declarou.
A ex-ministra da Agricultura, no entanto, afirmou na terça-feira que não pretende desistir da disputa neste momento. Ela aposta no trânsito entre diferentes partidos e no apoio de parlamentares do Centrão para fortalecer seu nome.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), também defendeu Tereza Cristina e criticou manifestações contrárias à senadora entre integrantes da direita, ressaltando sua participação nas articulações da oposição.
Alcolumbre tem apoio de partidos
Na disputa pela presidência do Senado, Marinho conta com o apoio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Carlos Bolsonaro (PL-SC). O partido pretende usar o tamanho de sua bancada para ampliar as chances de conquistar o comando da Casa.
Alcolumbre, por sua vez, tem o respaldo das direções do MDB, PSD e PT, além dos presidentes da federação União-PP, Antonio Rueda e Ciro Nogueira. Apesar dos apoios partidários, há resistências individuais entre senadores dessas legendas.
Marinho relembrou sua candidatura à presidência do Senado em 2023, quando foi derrotado por Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Na ocasião, disputou a pedido do então presidente Jair Bolsonaro, em uma tentativa de unificar a oposição após a derrota nas eleições presidenciais de 2022.







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