O Itamaraty não fará um pronunciamento oficial sobre a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. A decisão segue a prática da chancelaria brasileira de não divulgar notas sobre resultados eleitorais. Nos bastidores, porém, diplomatas e outros integrantes do governo avaliam que a perda de apoio no Congresso deve limitar a margem de ação de Donald Trump a partir de 2027, inclusive na política externa.
Com a apuração ainda em andamento, os democratas haviam conquistado 228 das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, ante 139 dos republicanos. No Senado, o partido de oposição já havia garantido ao menos 54 dos 100 assentos. Os resultados parciais e as projeções apontavam, assim, para uma maioria democrata nas duas Casas.
Congresso pode ampliar pressão sobre a Casa Branca
Um integrante do Itamaraty ouvido pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, avaliou que o resultado anuncia o fim do “Trump Imperial” a partir de 2027. Na leitura desse diplomata, o presidente dos EUA continuará a “fazer maluquices”, mas elas não sairão mais “grátis”. Com a maioria no Congresso, os democratas terão mais condições de questionar e investigar decisões da Casa Branca e, em alguns casos, barrar medidas do governo.
Entre as primeiras frentes de investigação que integrantes do governo brasileiro esperam ver no novo Congresso estão a guerra no Irã e os negócios do grupo de Trump no exterior. A avaliação é que, sob maior pressão parlamentar, o presidente estadunidense terá de dedicar mais atenção às disputas internas.
Outro diplomata apontou como sinais a acompanhar eventuais mudanças na equipe de Trump e o papel do secretário de Estado, Marco Rubio. Na avaliação dele, as pretensões eleitorais de Rubio podem levá-lo a rever seu posicionamento dentro de um governo que saiu enfraquecido das urnas.
Brasil vê espaço na região, mas prevê negociação difícil sobre tarifas
Na avaliação de integrantes do governo brasileiro, a relação de forças na América Latina já começou a mudar com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A defesa da soberania brasileira diante das pressões de Washington esteve presente em vários momentos da campanha. Com Trump enfraquecido, a leitura em Brasília é que os Estados Unidos terão menos margem para “tratorar os países grandes da região [como México e Brasil], que não estão com eles”.
A mudança no Congresso dos EUA, porém, não implica a suspensão imediata das tarifas aplicadas a produtos brasileiros. Na avaliação do governo, a revisão dessas medidas depende do andamento das negociações bilaterais.







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