A empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, foi intimada por meio da Justiça dos Estados Unidos a prestar depoimento sob juramento e apresentar documentos sobre patrimônio, transferências financeiras e negócios relacionados ao ex-banqueiro e a outras 18 pessoas e empresas. A iniciativa partiu da EFB Regimes Especiais, responsável pela liquidação do Banco Master.
De acordo com o pedido protocolado nesta terça-feira (3) no Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, Graeff deverá comparecer para depor em 8 de dezembro, em Miami. A entrega dos documentos foi solicitada até 30 de novembro.
A defesa da empresária afirmou que ela ainda não recebeu a intimação e que desconhecia o pedido. O advogado Lucio Constantino declarou que sua cliente sempre esteve à disposição das autoridades.
Intimação utiliza regra do processo falimentar americano
O pedido foi apresentado com base na Regra 2004 da legislação de falências dos Estados Unidos. O dispositivo permite que o administrador judicial de uma massa falida interrogue pessoas que possam fornecer informações sobre o patrimônio do devedor e esclarecer operações financeiras.
Martha Graeff não é ré no processo e foi convocada na condição de testemunha. A empresária poderá contestar a solicitação ou pedir sua anulação.
A investigação documental abrange o período de janeiro de 2018 até o momento atual e inclui bens que Graeff tenha possuído, adquirido ou ajudado a comprar em operações relacionadas a Vorcaro e aos demais nomes mencionados no pedido.
Documentos incluem imóveis, joias e movimentações bancárias
A EFB solicitou informações sobre imóveis, automóveis, obras de arte, joias e relógios, inclusive aqueles que possam ter sido mantidos por meio de terceiros, trusts ou empresas de fachada.
A lista de documentos também inclui apólices de seguros, contratos de consignação e venda, cadastros e extratos bancários. O liquidante quer identificar a origem e o destino de pagamentos realizados à empresária ou a empresas sob seu controle.
Entre as companhias mencionadas está a Graeff Holdings LLC, registrada na Flórida em 15 de setembro de 2023. Martha aparece como administradora da empresa, mas o registro estadual não identifica seus sócios, uma vez que a legislação local não exige a divulgação dessas informações para companhias desse tipo.
O pedido também busca informações sobre eventuais serviços prestados pela empresária a pessoas e empresas relacionadas ao grupo Master.
Lista inclui ex-diretores e empresas ligadas a Vorcaro
Além de Daniel Vorcaro, a solicitação apresentada nos Estados Unidos menciona outras 18 pessoas e empresas. Entre os nomes estão Antonio Carlos Freixo Júnior, delator nas investigações realizadas no Brasil, e antigos sócios e diretores do Banco Master, como Maurício Quadrado e Luiz Antonio Bull.
Também aparece a Titan Capital Holding, empresa ligada a Vorcaro no exterior.
A iniciativa segue procedimentos semelhantes adotados pelo liquidante em relação a instituições financeiras, como Bradesco e Itaú, e empresas que mantiveram negócios com o ex-banqueiro e seus sócios.
Intimação foi enviada para endereço de cobertura em Miami
O documento judicial foi encaminhado para uma cobertura em um condomínio de luxo em Surfside, ao norte de Miami Beach.
Segundo registros do condado de Miami-Dade, o imóvel não está registrado em nome de Martha Graeff, mas da G5C Capital Corporation, empresa constituída na província canadense de Ontário um dia antes da aquisição da propriedade.
A cobertura foi comprada por US$ 43,9 milhões. Os registros públicos consultados não identificam os proprietários da G5C Capital Corporation nem apresentam indicação de vínculo entre a empresa, Vorcaro ou o Banco Master.
Processo busca recuperar recursos do Banco Master
A ação da EFB nos Estados Unidos começou após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025. O liquidante recebeu autorização para procurar e tentar recuperar bens do devedor em território americano.
Uma das medidas envolve a tentativa de reter aproximadamente US$ 42 milhões provenientes da venda de um avião Gulfstream G700, de prefixo PS-MGG. Segundo a EFB, a aeronave teria sido adquirida com recursos do banco.
O prefixo do jato corresponde às iniciais do nome completo de Martha Graeff: Martha Gonçalves Graeff.
Empresária negou envolvimento nas investigações
Em abril, após a divulgação de mensagens trocadas entre ela e Daniel Vorcaro, Martha Graeff publicou uma manifestação nas redes sociais. Na ocasião, afirmou ter sido “arrastada para um lamaçal”, relatou ataques e exposição pública e negou participação nas investigações.
A empresária também declarou que não era investigada nem acusada e contestou informações sobre um suposto crescimento de seu patrimônio.
“Meu patrimônio é idêntico ao de dois anos atrás. Eu não ganhei mansão, não ganhei carro, não ganhei barco. Isso tudo é mentira”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.
Como mostrou a Folha, Vorcaro teria sugerido à então namorada que determinados bens fossem transferidos para o nome dela enquanto negociava a aquisição de outro imóvel de alto padrão em Miami.
O ex-banqueiro também discutiu a abertura de um trust, estrutura de planejamento patrimonial que seria registrada em nome da empresária. Meses antes, ele havia fechado a compra de uma residência na Sabal Palm Road por mais de US$ 85 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 490 milhões na cotação da época.
A defesa de Daniel Vorcaro foi procurada por e-mail na tarde desta terça-feira (3), mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.







Deixe um comentário