Um relatório de 196 páginas elaborado pela Polícia Federal e mantido sob sigilo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) detalha a suspeita de envolvimento entre o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento, entregue há sete meses à presidência da Corte e analisado em reunião fechada entre os magistrados, acabou engavetado sob o argumento de inconsistência jurídica, conforme revelou a revista Piauí nesta sexta-feira (11). O vazamento do arquivo revela que a PF trabalha com a tese de que o ministro seria o “proprietário de fato” ou “beneficiário final” de ativos atrelados ao fundo de investimentos Arleen, sócio do resort Tayayá.
As investigações apontam que o fundo Arleen recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro antes de transferir a integralidade do seu patrimônio para uma offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Trocas de mensagens interceptadas mostram que o banqueiro tratava os depósitos na conta do fundo como prioridade absoluta, relatando a interlocutores o receio de ficar em “situação ruim” com o ministro caso houvesse atraso no repasse.
Em paralelo, a Polícia Federal solicitou o aprofundamento das apurações para checar se a alteração de posicionamento de Toffoli em um julgamento sobre precatórios do setor sucroalcooleiro teve interferência direta de Vorcaro, dado que o Banco Master mantinha mais de R$ 10 bilhões no balanço sob essa rubrica.
Divergência de critérios e articulação nos bastidores
O vazamento do relatório expõe uma crise de seletividade no Supremo ao comparar o tratamento dispensado a Toffoli com o dado ao ministro Alexandre de Moraes. Enquanto o relatório sobre Moraes — divulgado pelo relator do caso Master, ministro André Mendonça — ganhou ampla visibilidade, o documento referente a Toffoli permaneceu sob reserva.
A documentação da Polícia Federal também joga luz sobre o papel do ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro, Fábio Faria, apontado como operador de bastidores e lobista dos interesses de Vorcaro junto a autoridades de Brasília, atuando inclusive na organização de eventos privados e encontros de articulação política para o banqueiro.
Em nota à Piauí antes das revelações, o gabinete de Dias Toffoli afirmou que ele “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima” com Daniel Vorcaro e negou ter recebido qualquer valor do banqueiro ou de seu cunhado.







Deixe um comentário