Após prisão, Vorcaro assinou acordo para documentário sobre escândalo do Master, revela PF

Documento apreendido na casa de Thiago Miranda previa entrevistas exclusivas e acesso a arquivos; investigação relaciona produção ao Projeto DV, que buscaria melhorar a imagem do Banco Master

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A Polícia Federal encontrou um contrato assinado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um documentário sobre o escândalo envolvendo o Banco Master. O acordo foi firmado em 31 de março de 2026, depois da prisão de Vorcaro, e previa a colaboração do banqueiro e do publicitário Thiago Miranda com entrevistas, documentos, imagens e outras informações destinadas à obra audiovisual.

O documento foi localizado durante o cumprimento de um mandado de busca na residência de Miranda, apontado pela investigação como um dos nomes ligados a Vorcaro. O contrato está entre os elementos citados em relatório da PF incluído nos autos que tiveram o sigilo levantado na noite desta sexta-feira (11) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o relatório, Vorcaro e Miranda assumiram o compromisso de colaborar diretamente com a produção. “Daniel Vorcaro e Thiago Miranda concordam em colaborar com a produção, fornecendo informações, entrevistas e acesso a documentos que auxiliem na elaboração da obra”, registra trecho do documento da PF.

O acordo previa ainda a concessão de “entrevistas exclusivas” e o compartilhamento de “informações, documentos, imagens e materiais”. A vigência inicial seria de seis meses e o conteúdo poderia resultar na produção de um filme ou de uma série documental.

PF vê tentativa de influenciar opinião pública

A existência do contrato ganhou relevância para os investigadores diante do contexto das apurações sobre a atuação de pessoas ligadas ao Banco Master. No relatório, a Polícia Federal levanta a suspeita de que a produção audiovisual poderia ter sido utilizada como instrumento para interferir na percepção pública sobre o caso.

Segundo a PF, os envolvidos “aparentemente estão negociando a venda de informações para a produção de um documentário que poderá servir para mais uma vez manipular a opinião pública”.

A avaliação dos investigadores não significa, por si só, que a produção de um documentário seja considerada uma atividade ilícita. A análise se concentra nas circunstâncias em que o projeto foi concebido e na possível relação da iniciativa com outras ações investigadas.

Ao citar o contrato na decisão que proibiu Thiago Miranda de deixar o país, André Mendonça afirmou que depoimentos e evidências reunidos durante a investigação indicam que o documentário faria parte do chamado “Projeto DV”.

De acordo com a apuração, o plano teria como objetivo trabalhar a imagem do Banco Master e direcionar críticas ao Banco Central. Miranda é apontado pelos investigadores como um dos articuladores dessa estratégia.

Mendonça aponta contexto mais amplo

Na decisão, André Mendonça fez uma ressalva expressa sobre a natureza da atividade audiovisual. “Produção de obra audiovisual, por si só, não configura nenhuma prática criminosa”, afirmou o ministro.

O relator ponderou, porém, que o contrato precisa ser analisado em conjunto com os demais elementos reunidos pela investigação. Segundo Mendonça, diante desse contexto mais amplo, o documento “ganha contornos penais”.

O ministro afirmou ainda que as investigações indicaram que o “Projeto DV” envolveria “o levantamento e a utilização de dados pessoais sigilosos e negados, da vida privada de jornalistas e executivos”.

A PF agora analisa o contrato como mais um elemento da investigação sobre as ações que teriam sido desenvolvidas em torno do Banco Master e de Daniel Vorcaro. O fato de o acordo ter sido firmado depois da prisão do banqueiro também integra a cronologia examinada pelos investigadores para determinar como o chamado “Projeto DV” teria funcionado e qual seria o papel de cada um dos envolvidos.

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