O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deve comparecer à sessão plenária extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada para terça-feira (15), às 10h, para analisar o relatório da Polícia Federal que revelou conversas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A informação sobre a presença do chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi divulgada pelo UOL.
A participação de Gonet ganha relevância porque o próprio procurador-geral aparece citado em mensagens reveladas pela investigação. O STF ainda trabalha na definição do rito da sessão, considerada incomum por envolver elementos relacionados a integrantes da própria Corte.
Gonet chegou a se reunir com o presidente do Supremo, Edson Fachin, na sede do tribunal, para discutir a questão. Na sexta-feira (11), Fachin também realizou conversas individuais e coletivas com ministros para definir como será conduzida a sessão.
Gonet aparece nas mensagens
Uma das conversas reveladas pela investigação é de 2024. Nela, segundo as informações divulgadas, o advogado Soares afirmou a Vorcaro que “Gonet é firme”.
Em março de 2025, o advogado também enviou uma fotografia ao lado do procurador-geral e informou que Gonet queria conversar com Vorcaro. Segundo o material revelado, o contato teria sido seguido por uma chamada telefônica com duração de quatro minutos.
Neste sábado (12), Gonet não assinou uma petição encaminhada ao presidente do STF que solicitava o levantamento completo do sigilo do caso Master. O documento teve a assinatura do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, que também atua no caso. Fachin atendeu ao pedido.
Relatório coloca Moraes no centro da sessão
O procedimento é relatado pelo ministro André Mendonça. Segundo as informações atribuídas à investigação da Polícia Federal, Vorcaro teria recebido informações sobre o avanço das apurações em torno dele e chegou a considerar deixar o Brasil depois de um conselho atribuído a Moraes.
O relatório também aponta que Moraes teria editado a versão final do contrato de R$ 130 milhões firmado por Vorcaro com o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Além de Alexandre de Moraes, outros quatro ministros do Supremo aparecem nas mensagens reveladas: Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Nunes Marques e André Mendonça.
A presença dos nomes nas conversas, por si só, não significa participação em eventual irregularidade.
Moraes pede análise conjunta
Neste sábado, Moraes encaminhou um ofício a Fachin pedindo que o julgamento seja realizado em conjunto com acusações que envolvem André Mendonça. Na petição, Moraes questionou a imparcialidade do colega na condução do processo.
Segundo as informações divulgadas, Moraes utilizou outro relatório da Polícia Federal, descrito como sem valor probatório, para apontar supostos indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e possível favorecimento a grupos políticos por Mendonça.
O Regimento Interno do STF prevê a possibilidade de um ministro declarar impedimento para analisar determinado processo quando identificar uma situação prevista em lei que possa comprometer sua atuação. A declaração, porém, não é automática.







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